UE defende Governo de consenso em Gaza para consolidar trégua

Bruxelas, 25 jan (EFE).- A União Europeia (UE) defende nestes momentos perante a Autoridade Nacional Palestina (ANP) a necessidade de que se constitua um Governo de consenso nacional em Gaza para consolidar o cessar-fogo com Israel, explicou hoje o ministro de Assuntos Exteriores espanhol, Miguel Ángel Moratinos.

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"O que é preciso é que os palestinos, como já estão fazendo por iniciativa egípcia, ajudados pelos turcos, iniciem um processo de reconciliação", afirmou Moratinos antes da reunião entre UE, Turquia, Egito, Jordânia e Noruega, primeiro país ocidental a estabelecer relações com o Hamas.

Quanto ao grupo islâmico, o chanceler espanhol afirmou que as exigências da comunidade internacional -renúncia à violência e reconhecimento de Israel- são "razoáveis" e "nada impossíveis de cumprir".

Enquanto acontece o processo de reconciliação, segundo o chefe da diplomacia espanhola, a UE deve enviar ajuda humanitária à zona e chegar a um acordo com os principais atores, entre os quais citou o novo enviado especial americano, com a esperança de retomar o processo de paz.

A iniciativa europeia de diálogo com as partes em conflito incluiu um encontro na quarta-feira com a ministra de Exteriores israelense, Tzipi Livni, que se comprometeu a garantir a entrada de ajuda humanitária na Faixa de Gaza.

Em troca, os ministros de Assuntos Exteriores da UE e o alto representante de Política Externa e Segurança Comum do bloco, Javier Solana, prometeram redobrar os esforços para deter o contrabando de armas em direção a Gaza.

Para isso, buscarão neste domingo convencer o Egito a permitir o envio ao país de observadores militares europeus para controlar a passagem fronteiriça de Rafah, que separa Gaza do país e é a única que liga os palestinos com um território que não seja israelense.

Mas, por enquanto, o ministro de Assuntos Exteriores egípcio, Ahmed Abu el-Gheit, afirmou, ao chegar ao encontro, que "não espera muito".

Um pouco mais otimista, o chanceler turco, Ali Babacan, afirmou que o objetivo da iniciativa diplomática é "tentar tornar possível a reconciliação entre os palestinos".

O ministro de Exteriores britânico, David Miliband, considerou, por sua vez, que "a discussão de hoje é muito importante", porque "o recente conflito no Oriente Médio foi um fracasso político e a UE quer estar no coração da renovação do processo em direção à solução dos dois Estados".

Para o britânico, a solução passa ainda pelos acordos de 2005, que colocavam o lado palestino da passagem de Rafah entre Egito e Gaza -sob o qual se prolongam os túneis- a cargo da ANP, com o apoio de observadores europeus.

Miliband afirmou que, com este objetivo, "o pessoal da UE já está pronto para ser desdobrado".

Já o chanceler luxemburguês, Jean Asselborn, destacou a importância de um Governo de consenso, já que, caso contrário, não será possível fazer chegar a ajuda humanitária nem "abrir a prisão de Gaza".

"Há milhares de pessoas de Gaza que vivem em uma situação lamentável, o objetivo agora não é falar de eleições ou responsabilidades, mas o que fazer para ajudar as pessoas", afirmou.

EFE met/db

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