UE decide nesta quinta se levanta sanções contra Cuba

A União Européia pode suspender nesta quinta-feira as sanções diplomáticas que impõe a Cuba desde 2003, o que abriria caminho para o restabelecimento de um diálogo político com a ilha e uma possível cooperação nas áreas de desenvolvimento e direitos humanos. A decisão será tomada pelos governantes dos 27 países europeus durante um jantar de trabalho da cúpula de dois dias que celebram até sexta-feira em Bruxelas.

BBC Brasil |

A posição do bloco era esperada na última segunda-feira, mas a revisão anual de sua política em relação a Cuba foi adiada a pedido da Alemanha que, segundo fontes diplomáticas, estaria enfrentando divisões internas sobre o tema.

Na ocasião, o ministro espanhol de Relações Exteriores, Miguel Ángel Moratinos, tentou minimizar a importância do pedido dos alemães e disse confiar em que as sanções serão levantadas.

"Nos debates que tivemos sobre o assunto, vimos que há um apoio maioritário à proposta espanhola (de levantar as sanções). Alemanha só precisa de mais tempo para abordar a questão de manera serena", afirmou.

Divisão
O governo da Eslovênia, que exerce a Presidência rotativa da União Européia, defende que é importante aproveitar o momento atual na ilha, que vem experimentando pequenas aberturas promovidas pelo governo de Raúl Castro.

Por sua parte, a Comissão Européia afirma que "manter as relações congeladas não ajuda em nada e é justamente o diálogo político que pode contribuir a possíveis mudanças na ilha", de acordo com o comissário de Desenvolvimento e Ajuda Humanitária, Louis Michel.

Segundo uma fonte diplomática em Bruxelas, a maioria dos países membros é partidária de se cancelar as sanções e considera que Havana deu "bons sinais" à comunidade internacional com a recente liberação de quatro presos políticos e a assinatura de dois acordos da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre direitos humanos.

"Muitos governos (da UE) acreditam que é importante dar um voto de confiança ao governo de Raúl Castro agora que ele se mostra disposto a implementar mudanças no país", afirma a fonte.

Cuba também tem a seu favor o mais recente relatório do escritório da UE na ilha, que destaca que o afastamento de Fidel Castro "abriu uma nova etapa" e "iniciou uma dinâmica real de mudanças".

Mas a Presidência eslovena terá que vencer a resistência de Suécia e República Tcheca, que só aceitam normalizar as relações com a ilha se todos os presos políticos forem libertados.

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