UE decide esperar antes de gastar mais contra crise

Bruxelas, 19 mar (EFE).- Os chefes de Estado ou de Governo da União Europeia (UE) optaram hoje por aguardar os efeitos das medidas de estímulo econômico tomadas em dezembro para, só depois, avaliar uma nova injeção de dinheiro público no mercado, como reivindicam os Estados Unidos.

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No primeiro dia de sua cúpula em Bruxelas, e após vários meses de discussões, os líderes do bloco europeu chegaram a um princípio de acordo sobre o financiamento comum de uma série de projetos de infraestrutura, os quais faziam parte do plano inicial para reativar a economia.

Segundo o primeiro-ministro tcheco, Mirek Topolanek, cujo país encontra-se à frente da Presidência rotativa da UE, os países do bloco são "unânimes em manter a cautelosa", por isso decidiram aguardar os efeitos das iniciativas fiscais implementadas para o período 2009-2010, que totalizam 400 bilhões de euros, ou 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB) de todas as nações.

Na reunião desta quinta, também ficou decidido que os chefes de Estado ou de Governo da UE voltarão a se reunir em 7 de maio, em Praga, para estudar medidas específicas de apoio ao emprego.

Quanto à cúpula do G20, que acontecerá daqui a 15 dias, em Londres, os líderes voltaram a denunciar o falso dilema que alguns analistas colocam entre "o estímulo e a regulação" na hora de tratar da atual crise.

Nas conclusões que o Conselho Europeu deve aprovar amanhã, o bloco deve insistir na reforma tanto da gestão macroeconômica global como do marco regulador dos mercados financeiros.

Apesar da cautela na hora de decidir gastar mais para minimizar a crise, os chefes de Estado ou de Governo quiseram dar provas de solidariedade anunciando um aumento de sua contribuição aos fundos europeus e internacionais destinados aos países mais afetados pelas turbulências da economia.

Segundo Topolanek, a UE aceitou que os recursos do Fundo Monetário Internacional (FMI) para operações de ajuda a Estados em dificuldades sejam dobrados.

Embora estejam dispostos a contribuir, os países-membros do bloco não especificaram de quanto será sua doação, já que preferiram esperar os demais sócios do órgão se pronunciar.

"Todos concordamos que é necessário aumentar os fundos do FMI, provavelmente até que sua capacidade de financiamento duplique", disse o ministro de Finanças tcheco, Miroslav Kalousek.

O presidente da Comissão Europeia (CE, órgão executivo da UE), José Manuel Durão Barroso, acha que amanhã os participantes da reunião apoiarão sua proposta de duplicar o limite da ajuda europeia a países do bloco, da qual já se beneficiaram a Hungria e a Letônia.

No que diz respeito aos projetos que receberão financiamento europeia - 5 bilhões de euros entre 2009 e 2010 -, praticamente a todos os Estados-membros pediram para ser atendidos, e só assim foi possível chegar a um compromisso final.

"Os projetos foram aprovados. Agora têm que ser colocados em prática rapidamente. Isso depende dos países-membros", destacou Barroso.

Os projetos relacionados à energia foram os mais beneficiados, uma vez que receberão 3,975 bilhões de euros. A soma restante - 1,025 bilhão de euros - será destinada a projetos de banda larga para internet em zonas rurais e a medidas relacionadas à aplicação da Política Agrícola Comum, segundo a última proposta da Presidência tcheca.

Todo o dinheiro a ser investido virá dos orçamentos do bloco para 2009 e 2010. Mas o acordo deixa claro que, devido à "necessidade urgente de estímulo", todos os trâmites legais para o uso dos fundos terão que ser concluídos antes do fim de 2010. EFE jms/sc

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