UE condiciona corte de emissões a atitude de países de fora do bloco

Sevilha (Espanha), 16 jan (EFE).- A União Europeia (UE) mantém a vocação e a vontade de reduzir suas emissões de gás carbônico em 30% até 2020 em relação aos níveis de 1990, mas apenas se outros países fizerem esforços comparáveis aos do bloco, diz a secretária de Mudança Climática do Governo espanhol, Teresa Ribera.

EFE |

O problema é que a própria UE ainda não definiu que é "comparabilidade", termo que pode ser interpretado como esforço equitativo ou esforço dentro da capacidade de cada país.

Ribera reconheceu esta dificuldade após presidir uma reunião informal entre ministros do Meio Ambiente da UE, presentes hoje em Sevilha, na Espanha.

Em entrevista coletiva, o comissário de Meio Ambiente da UE, Stavros Dimas, assegurou que o objetivo do bloco continua sendo conseguir um acordo "global, ambicioso e vinculativo", algo que "não pudemos conseguir" na cúpula sobre a mudança climática de Copenhague (COP15).

No entanto, "a decepção resultante dessa cúpula pode ser usada agora para avançar e pedir a todos um maior compromisso e conseguir, na reunião do México (em novembro de 2010), o acordo que todos queremos", disse.

O ministro de Clima e Energia da Bélgica, país que assumirá a Presidência da UE no segundo semestre de 2010, Paul Magnette, assegurou que a Europa "tem que tirar proveito de suas redes e contatos internacionais para fazer uma diplomacia em grande escala e conseguir avanços muito mais concretos no acordo de Copenhague".

Para Magnette, a Europa deve continuar trabalhando para conseguir fazer com que todos os países que estiveram na cúpula de Copenhague anunciem seus compromissos de redução de emissões, algo que ainda se desconhece, já que o acordo assinado na capital dinamarquesa foi apenas uma declaração de intenções.

O objetivo de redução de emissões da UE será de fato decidido na semana que vem durante a reunião do Conselho de Representantes Permanentes de Bruxelas (Coreper), que determinará se os países do bloco vão reduzir suas emissões em 30% até 2020 frente aos níveis de 1990 ou se fica nos 20%.

A reunião de hoje pareceu apenas deixar claro que um compromisso além do corte de 20% nas emissões dependerá das ações dos outros países, algo que não se saberá na semana que vem.

À margem do que outros países decidirem, como os emergentes ou os maiores poluidores, dentro da UE não há muito consenso sobre a possibilidade de cortar as emissões em 30%, como é o caso de Polônia ou Itália, cuja ministra do Meio Ambiente chegou a dizer, em declarações recolhidas pela Efe, que "após o fracasso de Copenhague, defender os 30% é surrealista".

Outros, no entanto, como Espanha, Reino Unido, Alemanha ou França são a favor desse objetivo.

Os 27 países da UE concordam, no entanto, que a ONU é o "único lugar onde devem ser realizadas" as negociações sobre a mudança climática, disse Teresa Ribera.

"Espaços mais restritos, do ponto de vista setorial ou geográfico, devem ser complementares ao das Nações Unidas, nunca substitutivos", destacou.

O representante dos Estados Unidos na COP15, Jonathan Pershing, disse recentemente que as reuniões da ONU são "caóticas" e defendeu negociações sobre o clima apenas entre os países que mais poluem.

EFE ecg/bba

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