UE colocará vigias armados em navios com ajuda humanitária na Somália

Bruxelas, 9 dez (EFE).- A missão naval Atalanta, que a União Européia (UE) lançou hoje contra a pirataria nas águas da Somália, colocará vigias armados em alguns navios de ajuda humanitária enquanto estes transitarem pelas áreas mais perigosas do Golfo de Áden.

EFE |

O comandante responsável pela operação, o vice-almirante britânico Philip Jones, disse hoje, em entrevista coletiva, que a proteção dos navios da ONU será a parte mais importante de seu mandato.

No entanto, os quatro navios e três aviões europeus que serão mobilizados nos próximos dias também deverão "dissuadir e deter" os piratas que tentarem atacar navios de transporte comercial, mesmo através da força, se for necessário.

Caso algum atacante seja detido, só será transferido para países que ofereçam garantia formal de que não será aplicada a pena de morte e que não haverá trato desumano ou degradante.

A princípio, seriam aplicadas as leis do país europeu responsável pela detenção.

Por enquanto, lembrou Jones, estão na área fragatas da França, Grécia e Reino Unido, às quais se unirão navios de apoio alemães e italianos, junto com um avião espanhol e outro francês.

A operação Atalanta poderia dobrar de tamanho, caso se concretizem as negociações que Bruxelas mantém com países asiáticos, árabes, africanos e europeus de fora da UE, disse Jones. Entre eles, citou Japão, Noruega, Arábia Saudita e Egito.

"Sou o primeiro a admitir que esta força por si só não poderá erradicar a pirataria completamente, e que só podemos ser parte da solução. No entanto, queremos fazer uma contribuição significativa", disse o militar britânico.

A missão, que os ministros de Assuntos Exteriores da UE aprovaram na segunda-feira de forma definitiva, substituirá nos próximos dias a frota da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) que era encarregada da vigilância na área.

A operação terá duração inicial de 12 meses e um custo aproximado de 8,3 milhões de euros.

Os navios europeus ficarão a um máximo de 500 milhas marítimas das águas em torno da Somália, e se centrarão em proteger os navios na área "em função de uma avaliação de riscos caso a caso".

O Estado-Maior da missão ficará no centro de comando naval de Northwood, no Reino Unido.

Além disso, o comando tático da operação ficará em um dos navios de forma rotativa, inicialmente da Grécia, e depois da Espanha e da Holanda.

O início da Atalanta representa o fim da célula criada em setembro, em Bruxelas, para coordenar as operações bilaterais de países da UE, que era dirigida pelo capitão de navio espanhol Andrés Breijo.

Alemanha, Holanda, Bélgica, Suécia, Chipre, Lituânia e Reino Unido se juntaram em 1º de setembro à Espanha e França em sua disposição de mandar recursos marítimos e aéreos para a conflituosa zona do Chifre da África.

A operação foi impulsionada pela Espanha e pela França em agosto, após o seqüestro do navio "Playa de Bakio".

Neste ano, os piratas com bases na África atacaram mais de 80 navios mercantes, praticamente todos em torno da Somália.

A Somália vive em um estado de anarquia e não tem Governo efetivo desde que o ditador Mohammed Siad Barre foi derrubado, em 1991, por diferentes clãs que lutam pelo poder no país, dirigido agora por um Executivo provisório. EFE met/an

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