Por Justyna Pawlak BRUXELAS (Reuters) - A União Europeia (UE) cobrou dos Estados Unidos na terça-feira um maior envolvimento no combate à mudança climática, depois de a Suécia descrever a recente conferência de Copenhague como grande fracasso.

Após um encontro em Bruxelas para discutir como resgatar o processo climático de Copenhague, ministros europeus do Meio Ambiente enfatizaram a necessidade de medidas concretas e de cumprimento obrigatório para combater o aquecimento global.

A UE foi à conferência da ONU, entre 7 e 19 de dezembro, na esperança de obter um compromisso global para reduzir as emissões de carbono do planeta em pelo menos 20 por cento até 2020, em comparação aos níveis de 1990. Essa e outras metas nítidas, no entanto, não apareceram no acordo final.

O evento terminou no sábado, um dia depois do previsto, com uma declaração sem valor jurídico, enfatizando a intenção de limitar o aquecimento a 2 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais, mas sem explicar como.

O principal entrave foi a discordância entre os dois maiores emissores de gases-estufa, China e Estados Unidos, sobre como agir e sobre quem pagará a conta.

"As expectativas e a pressão para que os Estados Unidos cumpram as metas cresceram depois de Copenhague", disse o ministro sueco do Meio Ambiente, Andreas Carlgren. A Suécia preside a UE neste semestre.

Os ministros dos 27 países do bloco voltam a se reunir em janeiro para discutir o papel da UE na construção de um eventual tratado, que continuará sendo discutido em 2010.

Em Copenhague, a UE tinha uma posição unificada e um plano para financiar reduções de emissões nos países em desenvolvimento. O bloco europeu havia se comprometido em gastar cerca de 7 bilhões de euros (10 bilhões de dólares) nos próximos três anos para ajudar países mais pobres.

Sem acordo nesse e em outras questões, Carlgren qualificou o encontro como um "desastre" e um "grande fracasso".

A Europa nunca perdeu seu objetivo, jamais chegou a rachas ou posições diferentes, mas é claro que (o fracasso) se deveu principalmente a outros países não (estarem) dispostos, especialmente Estados Unidos e China".

Recriminações mútuas sobem de tom a cada dia desde o fim do evento em Copenhague, e a Grã-Bretanha na segunda-feira acusou a China e alguns outros países de chantagearem o mundo ao impedirem um tratado com valor jurídico em Copenhague.

A China respondeu com firmeza. "As declarações de certos políticos britânicos são simplesmente um esquema político," disse Jiang Yu, porta-voz da chancelaria.

(Reportagem adicional de Yvonne Bell e Luke Baker)

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