UE buscará mais coordenação econômica para superar a crise

María Luisa González. Madri, 8 jan (EFE).- As principais autoridades da União Europeia defenderam hoje em Madri uma maior coordenação econômica para superar a crise, principal objetivo fixado pela Espanha para seus seis meses de Presidência europeia que começou a exercer oficialmente a partir de hoje.

EFE |

O presidente do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, recebeu do ministro de Assuntos Exteriores sueco, Carl Bildt, o cilindro que simboliza a Presidência rotatória da UE, com as bandeiras europeia, sueca e espanhola e um texto do Tratado de Lisboa.

A transferência oficial aconteceu em cerimônia no Teatro Real de Madri, presidida pelos reis Juan Carlos e Sofía, e com a participação dos máximos responsáveis das instituições do bloco e quase 1.500 convidados, que assistiram um espetáculo de flamengo e dança.

Coincidindo com este começo oficial de seu mandato europeu, Zapatero se reuniu em Madri com os presidentes do Conselho Europeu, Herman van Rompuy, e da Comissão da UE, José Manuel Durão Barroso, com quem terá que coordenar as políticas a serem seguidas pela União este semestre, tarefa para a qual os três mostraram uma boa disposição e sintonia.

Em entrevista coletiva, concordaram em que em um mundo globalizado e com reequilibrios de poder como o atual, a UE não tem mais saída a não ser se adaptar às mudanças, caminhar unida e coordenar suas políticas.

"Avançar na unidade econômica europeia, porque se avançarmos faremos com que a prosperidade seja o horizonte de todos os europeus", disse o presidente do Governo espanhol.

Para Van Rompuy, que assumiu recentemente seu cargo de presidente permanente da UE, "o primeiro objetivo é garantir uma plena recuperação, superar os desafios a curto prazo ligados à crise econômica e ao mesmo tempo trabalhar em mudanças estruturais" que devem culminar na elaboração do plano a longo prazo, batizado como "Estratégia 2020".

Este plano, que começará a ser desenhado na cúpula extraordinária de Bruxelas no dia 11 de fevereiro - com o objetivo de que seja aprovado no final da Presidência espanhola em junho - procura dinamizar a economia europeia e torná-la mais competitiva, após o fracasso de seu antecessor, a "Agenda de Lisboa".

"Vamos ter sucesso", destacou Van Rompuy, que vê nisso "uma questão de sobrevivência", ressaltando que a UE precisa de "um maior crescimento econômico para preservar o modo de vida europeu".

Após se referir ao déficit fiscal enfrentado pelos países europeus, sustentou que é preciso realizar "reformas e um crescimento estrutural".

"Sabemos que (o crescimento) não vai superar 1% e não podemos nos permitir que esteja em risco nosso modelo econômico", acrescentou.

Diante desta situação, o presidente do Conselho Europeu detecta nos países da UE "um maior sentimento de urgência".

Tanto Zapatero como Van Rompuy evitaram concretizar se suas propostas sobre a nova estratégia econômica poderiam contemplar medidas vinculativas e eventuais sanções para os países que não cumpram os objetivos fixados.

Em reunião com jornalistas estrangeiros, nesta quinta-feira em Madri, Zapatero se referiu a "medidas corretivas" para evitar que a nova estratégia fracasse, como ocorreu com sua predecessora.

O presidente da Comissão Europeia respaldou os objetivos colocados e afirmou que a Europa "deve trabalhar de maneira mais articulada e mais ambiciosa", porque no contexto atual globalizado "não podemos nos permitir continuar como até agora".

Van Rompuy e Zapatero que inaugurarão uma nova cooperação na UE ao compartilhar a liderança antes reservada exclusivamente ao país que exercia a Presidência rotativa, diminuíram a importância desta bicefalia.

Para o chefe do Executivo espanhol o pertinente no caso de estourar uma grave crise seria que o telefone tocasse no escritório de Van Rompuy, enquanto afirmou que nessa composição ele convocaria o Conselho Europeu, que reúne os líderes dos 27 países, porque "não vivemos em uma ditadura".

Esta é a quarta Presidência rotativa da UE assumida pela Espanha desde sua incorporação ao bloco em 1986 e na qual se fixou entre suas prioridades relançar a cooperação da Europa com a América Latina.

A assinatura de acordos de associação com a América Central e alguns países andinos, como Colômbia e Peru, além de dar um impulso ao bloqueado processo de negociações com o Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai), estão entre os pontos da agenda espanhola. EFE mlg/ma

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