UE busca estreitar cooperação com EUA sem depender de resultados eleitorais

Avignon (França), 5 set (EFE).- A União Européia (UE) ofereceu hoje aos Estados Unidos reforço na cooperação com o próximo Governo americano, independentemente de o novo presidente do país ser o democrata Barack Obama ou o republicano John McCain.

EFE |

Os ministros de Assuntos Exteriores da UE, que iniciaram em Avignon (França) uma reunião informal de dois dias, debateram nesta sexta-feira o futuro das relações entre Europa e EUA.

A Casa Branca desempenha papel de aliado estratégico do bloco comunitário, mas mantêm divergências constantes com os europeus em diversos aspectos.

O ministro francês de Exteriores, Bernard Kouchner, admitiu que há "diferenças normais" entre UE e EUA, mas afirmou que "há um autêntico acordo para trabalhar mais com nossos amigos americanos".

Na entrevista coletiva que encerrou o primeiro dia de encontros informais em Avignon, Kouchner explicou, em nome da Presidência francesa rotativa da UE, que um novo debate sobre a cooperação entre o bloco e os EUA se faz necessário, porque "o mundo mudou" nos últimos anos.

O ministro francês lembrou que no mundo globalizado "há alguns perigos", como o conflito da Geórgia, que podem prejudicar esperanças de democratização e fim de conflitos e nacionalismos exacerbados.

Precisamente, considera a gestão do conflito no Cáucaso um exemplo de boa cooperação entre ambos os lados do Atlântico, já que houve participação ativa tanto de EUA como da própria UE para fazer com que Moscou e Tbilisi assinassem um cessar-fogo.

Na relação com os EUA, Kouchner disse que agora "há um período de incerteza administrativa", devido às eleições americanas, uma fase na qual a UE "deve estar presente" e "ocupar seu lugar político" nos conflitos mundiais, embora tenha ressaltado que Bruxelas não busca tirar proveito da disputa eleitoral pela Casa Branca.

Sinalizou ainda que já começou a tratar essas questões com os dois candidatos à Presidência americana, embora o documento que a UE prepara para discutir essa nova relação ainda não esteja concluído - deve ser finalizado em outra reunião informal de ministros prevista para novembro, em Paris.

"Esse é o momento adequado, antes de o novo Governo americano se instalar. É preciso aproveitar essa oportunidade", declarou, por sua vez, a comissária européia de Exteriores, Benita Ferrero-Waldner.

A dirigente destacou que a UE quer ser "um sócio em pé de igualdade" com os EUA, mas deixou claro que para isso os europeus "devem melhorar o nível de jogo", sendo "mais claros e unidos" em suas posições e "mais efetivos" nas medidas que empreenderem. EFE rcf/fr

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