UE aproxima-se de retomar negociações sobre parceria com Rússia

Por David Brunnstrom e Mark John BRUXELAS (Reuters) - Depois do sinal verde dado pela Grã-Bretanha e pela Suécia, a União Européia (UE), na segunda-feira, chegou mais perto de retomar as negociações com a Rússia sobre um acordo de parceria.

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A decisão desses dois países, surgida depois de a Lituânia e a Polônia terem reconhecido estarem incapacitadas de bloquear a manobra, aumentou a probabilidade de que uma cúpula UE-Rússia marcada para a próxima sexta-feira autorize a retomada das negociações paralisadas pelo bloco europeu em setembro, depois da guerra entre a Rússia e a Geórgia.

Os países-membros da UE debatem a questão há semanas. A Grã-Bretanha e a Suécia integravam o grupo minoritário de nações contrárias à retomada do processo sobre esse pacto fundamental.

"Manter uma relação com a Rússia segundo certos parâmetros é a melhor opção para a UE", disse o chefe da área de política externa do bloco, Javier Solana, a ministros de Relações Exteriores reunidos em Bruxelas para discutir o assunto.

Os ministros da Grã-Bretanha e da Suécia afirmaram serem favoráveis a uma retomada capaz de beneficiar o bloco, formado por 27 países.

"Nós não estamos virando a página a respeito do conflito na Geórgia", disseram o britânico David Miliband e o sueco Carl Bildt, em um comunicado, acrescentando que pedirão a suas contrapartes na UE que a relação entre o bloco e a Rússia sofra revisões esporadicamente.

"Não se trata de fazer a UE recompensar alguém por mau comportamento. O que estamos vendo é uma certa movimentação da parte dos russos, uma movimentação significativa, no sentido de haver uma retirada completa", disse Miliband sobre os termos de um acordo de paz fixado para colocar fim ao conflito em torno das regiões georgianas separatistas Ossétia do Sul e Abkházia.

O pacto UE-Rússia trata dos laços políticos, comerciais e econômicos entre o bloco e seu maior fornecedor de combustível.

O governo russo vem sem mostrando bem menos entusiasmado com o pacto do que os europeus, argumentando preferir negociar com os países da UE individualmente.

No entanto, o ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, recebeu com satisfação os sinais de que o bloco europeu deseja normalizar suas relações com a Rússia.

"Nós manifestamos nosso desejo de virar a página e de intensificar as atividades mútuas", afirmou o ministro em uma entrevista concedida ao jornal finlandês Helsingen Sanomat e divulgada pela chancelaria russa na segunda-feira.

"Nós desejamos uma relação duradoura, estável e próxima com a UE na qualidade de parceiro estratégico", disse Lavrov. "Do nosso lado, não há obstáculos para complementarmos o desenvolvimento (dos laços) em todas as esferas."

(Reportagem adicional de Ingrid Melander em Bruxelas, Robert Strybel em Varsóvia e Nerijus Adomaitis em Vilnius)

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