UE aprova sanções contra setor energético do Irã

Medidas reforçam pressão internacional contra Teerã e têm objetivo de restringir capacidade de refino do país

Reuters |

A União Europeia decidiu nesta quinta-feira intensificar suas sanções contra o Irã, incluindo medidas para impedir investimentos nos setores de gás e petróleo do país e para restringir sua capacidade de refino.

As medidas vão substancialmente além das sanções adotadas em 09 de junho pelo Conselho de Segurança da ONU por causa do programa nuclear iraniano. O Ocidente suspeita que o Irã esteja tentando desenvolver armas nucleares, algo que a República Islâmica nega.

As medidas europeias entrarão em vigor nas próximas semanas. Seus principais alvos são bancos, transportes, companhias de seguro e os importantes setores de gás e petróleo.

Os governantes europeus decidiram proibir "novos investimentos, assistência técnica e transferências de tecnologia, equipamentos e serviços relacionados a essas áreas, em particular relacionadas ao refino, liquefação e tecnologia de gás natural liquefeito".

As medidas, mais duras do que previam alguns diplomatas, devem ser muito prejudiciais ao Irã porque o país, embora seja o quinto maior exportador mundial de petróleo, tem pouca capacidade de refino.

"O Conselho da União Europeia lamenta profundamente que o Irã não tenha aproveitado as muitas oportunidades que lhe foram oferecidas para eliminar as preocupações da comunidade internacional com relação à natureza do programa nuclear iraniano," disseram os líderes europeus em nota. "Sob tais circunstâncias, novas medidas restritivas se tornam inevitáveis."

Diplomatas disseram que alguns países da UE, especialmente a Alemanha, que tem fortes interesses econômicos no setor iraniano de gás e petróleo, tinham preocupações com o endurecimento das sanções, mas nessa ocasião acabaram concordando com um comunicado contundente.

A decisão da UE ocorre no momento em que o Congresso americano busca aprovar seu próprio pacote de medidas adicionais contra o Irã. EUA e UE queriam medidas mais duras na ONU, mas Rússia e China, com poder de veto, trataram de atenuá-las.

O impacto político das sanções do Conselho de Segurança foi reduzido também por causa do voto contrário de Turquia e Brasil , integrantes temporários do Conselho.

Na quarta-feira, o Departamento do Tesouro dos EUA já havia adotado restrições contra outro banco estatal iraniano e contra empresas que, segundo as autoridades americanas, servem de fachada para a estatal iraniana de navegação IRISL. Os EUA tentam coordenar suas sanções com as da UE.

Além disso, Washington identificou 20 empresas petrolíferas e petroquímicas que estariam sob controle do governo iraniano, e que como tal ficam proibidas de fazer negócios com empresas dos EUA, conforme um embargo comercial preexistente.

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