UE apoia posição de Obama sobre conflito no Oriente Médio

Bloco europeu e Jordânia saúdam ideia de Estado palestino com base em divisas de 67; para Síria, pronunciamento não tem nada de novo

iG São Paulo |

EFE
Obama durante discurso no Departamento de Estado (19/05)
A União Europeia (UE) saudou nesta sexta-feira a proposta do presidente americano, Barack Obama, para criar um Estado palestino com base nas fronteiras de 1967 anteriores à Guerra dos Seis Dias. O pronunciamento marcou a primeira vez em que um presidente americano explicitamente tomou a posição. Ele também disse que o novo Estado palestino deve ser desmilitarizado.

A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, "saúda a confirmação do presidente Obama de que as fronteiras de Israel e Palestina deveriam ter como base as linhas de 1967 com trocas de mútuo acordo, de maneira que se estabeleçam demarcações seguras e reconhecidas pelos dois Estados", anunciou um porta-voz.

A chanceler alemã, Angela Merkel, mostrou-se "impressionada" com o discurso sobre o Oriente Médio, expressando seu "total respaldo" à exigência de que Israel aceite a criação de um Estado palestino, disse seu porta-voz, Steffen Seibert. Segundo ele, a chanceler "pressiona" o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmud Abbas, para que retomem as negociações para resolver o conflito.

Após uma reunião com os colegas francês e alemão, o chanceler polonês, Radoslaw Sikorski, disse que os três países manifestaram apoio à proposta do líder americano."Apoiamos a mensagem de determinação do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, sobre a urgente necessidade de fazer algo para solucionar o conflito do Oriente Médio", disse o ministro polonês ao lado do francês Alain Juppé e do alemão Guido Westerwelle em Bydgoszcz, noroeste da Polônia. "Obama fez o que a Europa o aconselhou. Agora que fez, damos nosso apoio", disse.

Reação árabe

A Jordânia também saudou o discurso de Obama a favor de um Estado palestino com base nas fronteiras de 1967. "A Jordânia saúda o discurso do presidente americano, que citou pela primeira primera vez e tão claramente em um discurso político sua visão para o estabelecimento de um Estado Palestino com base nas fronteiras de junho de 1967", declarou o ministro das Relações Exteriores, Nasser Jawdeh.

Já para a Síria, o pronunciamento de Obama não trouxe nenhuma novidade e se limitou a reafirmar o apoio dos Estados Unidos a Israel, segundo agência oficial de notícias Sana. "O discurso do presidente americano não oferece nada novo em relação à política sobre o processo de paz, a situação no Iraque ou sobre a segurança e estabilidade regionais", afirmou a agência.

O jornal oficial At Thawra criticou a "arrogância" de Obama, que em seu discurso "convidou" o presidente sírio Bashar al-Assad a "liderar a transição ou a sair do governo". "Obama foi arrogante ao dizer a um país soberano o que fazer", afirmou o diário.

Desde o início das manifestações contra o regime de Bashar al-Assad, a repressão causou pelo menos 850 mortes , de acordo com organizações não governamentais e a ONU.

Discurso de Obama

O pedido de Obama para que o Estado palestino tenha como base as fronteiras que existiam antes de Israel capturar o controle da Península do Sinai e da Faixa de Gaza do Egito, da Cisjordânia (incluindo Jerusalém Oriental) da Jordânia e as Colinas do Golan da Síria, marca uma mudança significativa da política dos EUA e irritou Israel.

"Em um momento em que a população do Oriente Médio e norte da África estão se livrando dos fardos do passado, a iniciativa para uma paz permanente que ponha fim ao conflito e responda a todas as reivindicações é mais urgente do que nunca", disse. Segundo Obama, Israel precisa aceitar que nunca poderá ter uma nação pacífica que seja baseada na "ocupação permanente".

Embora Obama tenha dito que "os assuntos centrais" que dividem as duas partes ainda tenham de ser negociados, incluindo a questão de Jerusalém e o destino dos refugiados palestinos, ele mencionou a frustração pelo fato de os esforços implementados até agora para um acordo terem fracassado. “A comunidade internacional está cansada de um processo interminável que nunca produz um resultado", disse.

Em uma declaração divulgada em Jerusalém, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse que as fronteiras de 1967 são " indefensáveis ". Para Netanyahu, a retirada prejudicaria a segurança de Israel e deixaria grandes assentamentos na Cisjordânia fora das fronteiras do país.

Em seu pronunciamento, Obama também criticou a intenção dos palestinos de pressionar por um reconhecimento do Estado palestino na ONU. "Ações simbólicas para isolar Israel na ONU em setembro não criarão um Estado independente", disse.

Ele também se mostrou cauteloso com o acordo de união entre o partido laico Fatah, liderado por Mahmud Abbas, e o movimento islâmico Hamas, que controla a Faixa de Gaza, afirmando que o pacto "levanta profundas e legítimas" questões de segurança para Israel. "Como (Israel) pode negociar com um partido que mostrou que não quer reconhecer seu direito de existir? Nas próximas semanas e meses, os líderes palestinos terão de oferecer uma resposta crível para essa pergunta", afirmou.

Mundo árabe

O esboço para um acordo de paz israelo-palestino surgiu durante discurso no Departamento de Estado, na sua primeira resposta abrangente para as revoltas que acontecem no Oriente Médio e norte da África há seis meses e que, para o líder americano, são "um momento de oportunidade". Para o presidente americano, "um novo capítulo na diplomacia americana" surgiu depois dos levantes, e essa nova política terá como base "promover a reforma e apoiar as transições democráticas".

O discurso foi uma tentativa de articular uma política americana coesa para uma Primavera Árabe que teve uma reviravolta obscura à medida que a euforia das revoluções populares na Tunísia e Egito abriu caminho para repressões violentas no Bahrein e Síria, para a guerra civil na Líbia e para o impasse político no Iêmen.

Obama também criticou o presidente sírio, Bashar al-Assad, por atacar a população de seu país, defendendo a decisão de impor sanções contra ele e outras autoridades na quinta-feira. "Assad tem duas escolhas: ou lidera a transição democrática de seu país ou renuncia", disse.

No pronunciamento, Obama anunciou que os EUA ajudarão no desenvolvimento econômico do mundo árabe para possibilitar que a democracia se concretize na região. Segundo ele, as intervenções econômicas terão de encorajar o crescimento, e não a dependência. "Comércio, e não apenas auxílio econômico; investimento, e não apenas assistência", afirmou.

*Com AP, AFP e New York Times

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