UE apoia fechamento de Guantánamo, mas mostra reservas em receber detidos

BRUXELAS - A União Europeia (UE) apoiou nesta segunda-feira o plano do presidente Barack Obama de fechar a prisão de Guantánamo, símbolo dos excessos antiterroristas da era Bush, embora não esteja muito entusiasmada com a idéia de receber os homens atualmente detidos no centro.

Redação com AFP |

"Ninguém está muito entusiasmado, é verdade", reconheceu o chanceler Karel Schwarzenberg, da República Tcheca - país que preside a UE, ao final do primeiro debate sobre o assunto com seus colegas europeus, reunidos em Bruxelas.

Embora a UE tenha saudado "calorosamente" o anúncio do fechamento de Guantánamo, "não podemos dar uma resposta rápida" à questão do possível traslado de prisioneiros, continuou Schwarzenberg. "Há problemas políticos e de segurança que exigem um estudo aprofundado e consultas", explicou.

Schwarzenberg precisou que a questão será enviada aos ministros europeus do Interior e Justiça. Os ministros europeus querem estabelecer a ideia de uma "ação combinada sobre esta questão".

Uma missão da UE - integrada pela presidência tcheca, o comissário europeu de Justiça, Jacques Barrot, e o coordenador antiterrorista Gilles de Kerchove - viaja aos Estados Unidos em fevereiro para discutir o assunto com o governo Obama, indicaram diplomatas europeus.

Vários países, como Áustria, Suécia, Dinamarca e Holanda, já afirmaram que não estão dispostos a receber detidos de Guantánamo. Outros, como Espanha, Portugal, Itália e França, disseram que estudariam a questão "caso por caso".

"Pelo menos seis ou sete" países da UE estão dispostos a acolher os presos de Guantánamo para ajudar Obama, afirmou o ministro português das Relações Exteriores, Luis Amado.

Por sua vez, o ministro alemão das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, assegurou nesta segunda-feira que se trata de uma "questão de credibilidade" para os europeus, que haviam reclamado com insistência o fechamento dessa prisão.

Alguns membros da UE deixam a porta aberta a uma recepção por motivos "humanitários" de cerca de 60 detidos contra os quais não existam acusações e que não possam voltar às nações de origem devido ao risco de perseguições.

"Devemos examinar esta questão sob o ângulo dos direitos humanos", destacou nesse sentido o chanceler finlandês Alexander Stubb. "A Europa deve assumir suas responsabilidades ante as pessoas que não podem voltar a seu país", acrescentou.

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