UE adverte sobre perigo de proliferação nuclear no Irã

Bruxelas, 22 jun (EFE).- O alto representante da União Europeia, Javier Solana, voltou a advertir hoje sobre o perigo que a proliferação nuclear em um país como o Irã, rico e com vocação de liderança regional, representa para o mundo.

EFE |

Em um colóquio realizado em Bruxelas, no qual repassou os principais desafios para a segurança mundial, Solana considerou a proliferação de armas de destruição em massa em geral como "a principal ameaça" enfrentada pelo mundo neste século.

Ao se referir em particular ao Irã, o chefe da diplomacia europeia afirmou que o "não cumprimento do tratado de não-proliferação e o desejo de construir uma bomba nuclear é muito perigoso".

Perguntado sobre qual dos dois países, Coreia do Norte ou Irã, representa uma ameaça maior, Solana não quis responder abertamente, mas deu a entender que o primeiro deles não busca hegemonia.

"A Coreia do Norte é um país muito pobre", lembrou, e afirmou que "quando um país com esse nível de pobreza gasta dinheiro em testes de armas nucleares, algo tão caro, o mundo já se pergunta sobre o que está acontecendo ali".

Solana afirmou que se trata de um país "que esteve marginalizado durante muito tempo" e "para alguns ser irrelevante é pior que ser pobre".

Segundo ele, "isso está acontecendo na Coreia do Norte. O país sente que tem que fazer barulho, para que as pessoas prestem mais atenção neles".

O Irã "é completamente diferente. É um país rico e tem uma vocação de liderança regional, o que não acontece com a Coreia do Norte", ressaltou.

Em sua conferência, Solana insistiu que a proliferação de armas de destruição em massa, especialmente as nucleares, segue a uma lógica perversa: "a absoluta segurança para uns significa a total insegurança para o resto".

Por isso, a solução só será alcançada com a cooperação internacional e o reforço dos mecanismos multilaterais, como a União Européia (UE) sempre defendeu.

Sobre o assunto, revelou que, pela primeira vez em anos, os trabalhos realizados para a revisão periódica do Tratado de Não-Proliferação Nuclear estão dando frutos.

"Pela primeira vez, parece que vai haver uma agenda de acordos dos trabalhos preparatórios da revisão, o que pode mudar completamente a paisagem", disse o representante europeu. EFE jms/pd

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