UE admite maior gravidade da crise, mas prevê retomada em 2010

Bruxelas, 4 mai (EFE).- A economia da Europa enfrenta uma crise muito mais grave do que era previsto até agora, mas não está mais em queda livre, segundo a Comissão Europeia (órgão executivo da União Europeia), que ressalta que a recuperação deve começar ano que vem.

EFE |

O executivo da UE revisou hoje para baixo suas previsões de crescimento econômico e estimou que o Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro e do bloco europeu terá contração este ano de 4% (mais que o dobro em relação ao calculado há menos de quatro meses) e seguirá descendo 0,1% em 2010.

A Europa está "no meio da recessão mais profunda e ampla" desde a Segunda Guerra Mundial, disse o comissário de Assuntos Econômicos e Monetários europeu, Joaquín Almunia, que se mostrou convencido, no entanto, de que as medidas conjunturais adotadas pelos Governos permitirão que se inicie a recuperação já no próximo ano.

"Ninguém conseguiu pôr barreiras perante a crise", ressaltou Almunia, ao destacar que dos 27 membros da UE, apenas o Chipre escapará da recessão este ano, ao ter modesto crescimento de 0,3% no PIB.

Segundo ele, se destaca a forte deterioração da situação na Alemanha, maior economia do bloco, que passará da expansão de 1,3% em 2008, para queda de 5,4% em 2009.

Já o PIB francês terá baixa de 3%, enquanto o Reino Unido verá recuou de 3,8% e a Itália, de 4,4%.

Segundo analistas da UE, por trás desses números tão negativos está o agravamento da crise financeira, o colapso do comércio mundial - que prejudica especialmente as economias exportadoras - e a correção do setor imobiliário em vários Estados-membros.

Como consequência da forte queda de atividade e do aumento das despesas para combater a crise - a Comissão Europeia estima que as medidas extraordinárias iniciadas em 2009 e 2010 equivalem a 5% do PIB dos 27 membros - o déficit público subirá a 5,3% do PIB em média nos países de moeda única e 6% em toda UE.

Segundo números divulgados pelo bloco europeu, 20 Estados-membros - 12 da zona do euro - terão este ano um déficit superior a 3% do PIB, marca estabelecida pelo Pacto de Estabilidade.

A deterioração econômica também será notada no mercado de trabalho e, assim, a taxa de desemprego superará tanto nos países do euro como na UE a marca de 10% da população ativa.

O executivo da UE se esforçou para acompanhar essas negras previsões de certo otimismo e reiterou que a situação vai se estabilizar perto do final de ano, conforme forem se normalizando os mercados financeiros, se remonte a confiança dos investidores e comecem a atingir a economia real as medidas de estímulo econômico e de expansão monetária.

Embora ainda não haja dados para confirmar que o pior passou, "já não estamos em queda livre", destacou o comissário.

Para assegurar uma melhora, Almunia pediu aos países a rápida aplicação das medidas de reativação e a liberação aos bancos dos chamados "ativos tóxicos", assim como recapitalizações nos casos necessários, para garantir a restauração da confiança no setor financeiro.

Sobre a inflação, Bruxelas prevê que seguirá caindo nos próximos meses, para, no conjunto do ano, ficar em torno de 0,4% na zona do euro e em 0,9% na UE.

Em 2010, os preços subirão ligeiramente, e a média anual estará em torno de 1,2% em ambas as áreas.

Almunia afirmou que, embora a taxa de inflação anualizada possa chegar a ser negativa alguns meses, se trata de algo temporário, e deixou claro que "não há riscos sérios de deflação". EFE epn/rr

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