Os 27 países da União Européia (UE) acertaram nesta terça-feira as grandes linhas de sua posição ante a cúpula mundial sobre a reforma do sistema financeiro marcada para meados de novembro, na qual pedirão uma regulação maior e transparência nos mercados.

Os europeus definiram assim suas grandes prioridades frente aos Estados Unidos fragilizados pela crise bancária mundial. Os ministros da Economia do bloco expressaram seu apoio a várias propostas emitidas pela presidência francesa da União Européia (UE).

"Pudemos encontrar uma convergência de pontos de vista sobre os meios reforçados de vigilância, sobre os princípios e valores fundamentais em que acreditamos", declarou a ministra francesa das Finanças, Christine Lagarde.

"Estes princípios podem ser resumidos à necessidade de não promover o protecionismo, mas sem deixar de impor as regras do mercado no contexto de uma regulamentação adequada", acrescentou.

Em um documento, a França sugeriu vários eixos de trabalho para reformar "a arquitetura financeira internacional", depois da crise.

Ela propôs a promoção da transferência e uma maior responsabilidade dos atores financeiros, uma regulamentação dos mercados mais rígida, uma redução das práticas de risco, um aumento da supervisão e um reforço do papel do Fundo Monetário Internacional (FMI) na vigilância.

Estes princípios devem servir para preparar as propostas européias que serão apresentadas na cúpula do G20 em em 15 de novembro em Washington sobre a reforma do sistema financeiro mundial.

A pedido de alguns Estados, ajustes ainda serão feitos esta semana, sobretudo duurante uma reunião extraordinária dos dirigentes europeus sexta-feira em Bruxelas.

A Alemanha pediu a modificação de um parágrafo do texto, "suspeito", para eles, de incentivar "a emergência de um governo europeu", frisou o ministro alemão das Finanças, Peer Steinbruck.

No entanto, as grandes linhas do documento foram aceitas. "A UE precisa expressar uma posição comum, unida", enfatizou o comissário europeu para os Assuntos Econômicos, Joaquin Almunia.

Os europeus defendem uma reforma real e completa do sistema financeiro mundial. Eles desejam a instauração rápida de uma forma de instância de supervisão mundial dos mercados, uma idéia que não suscita o entusiasmo dos americanos.

A Europa pretende aproveitar a crise financeira para impor seus pontos de vista aos Estados Unidos.

Uma vitória do democrata Barack Obama, mais favorável a uma maior regulação dos mercados financeiros, na eleição presidencial desta terça-feira, pode ajudá-los.

Entretanto, não será nada fácil convencer os americanos.

Na segunda-feira, a Casa Branca se mostrou prudente sobre as chances de ver a próxima cúpula do G20 sobre a crise financeira desembocar em medidas concretas, apesar da pressão neste sentido exercida pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy.

Em Berlim, a chanceler alemã, Angela Merkel, também defendeu nesta terça-feira a instauração rápida de novas regras para os mercados financeiros.

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