UE aceita resultado de eleições no Camboja apesar de irregularidades

Phnom Penh, 14 out (EFE).- A missão de observação eleitoral da União Européia (UE) disse hoje que os resultados das eleições legislativas realizadas no último dia 27 de julho no Camboja foram bons, apesar de ter constatado várias irregularidades e afirmado que o processo está longe dos padrões internacionais.

EFE |

Na apresentação do relatório final, o chefe da missão, Martin Callanan, afirmou que sua equipe dispunha de "provas claras" do uso fraudulento do formulário que permitiu inscrever eleitores no censo eleitoral fora do prazo estabelecido.

Embora tenha atribuído a maioria das irregularidades ao governante Partido do Povo do Camboja (PPC), Callanan assegurou que estas "não afetaram o resultado global das eleições".

O uso irregular "em grande escala" do formulário foi denunciado pelos principais grupos da oposição, pelo Partido Sam Rainsy (PSR) e pelo Partido Pró-Direitos Humanos (HRP), que chegaram a pedir a repetição das eleições.

Por meio do relatório final, a missão da UE afirmou que a oposição não apoiou as denúncias com provas suficientes para obrigar que a votação se repetisse, apesar de ter assegurado que "a credibilidade dos resultados continuará sendo questionada".

No relatório final, a missão de observação eleitoral recomendou a extinção do polêmico formulário para futuras eleições, assim como a simplificação do processo de inscrição no censo eleitoral.

Apesar de ter ressaltado melhorias em comparação com as eleições anteriores, Callanan lamentou o uso em massa da imprensa pelo PPC e a compra de votos com dinheiro e presentes.

A missão também pediu ao Governo cambojano que garanta a plena independência da Comissão Eleitoral Nacional e desenvolva uma autoridade independente que permita criar um ambiente livre e imparcial para a imprensa.

Com a apresentação do relatório, a UE finalizou sua missão de observação, que representou o posicionamento de 130 observadores pelo país e um investimento de US$ 3 milhões.

O PPC, do primeiro-ministro Hun Sen, venceu as eleições ao conseguir 90 das 123 cadeiras da Assembléia Nacional, o que permitiu que o partido formasse pela primeira vez o Governo sem necessidade de recorrer à formação de uma coalizão.

Na oposição, o PSR ficou com 26 cadeiras, o PDH com três, a Frente Nacional Unida por um Camboja Independente, Neutro, Pacífico e Cooperativo (Funcinpec) com duas e o Partido Norodom Ranaridh também com duas. EFE jcp/fh/fal

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG