UE: a Argentina tem muito a ganhar com um acordo na OMC

O comissário europeu do Comércio, Peter Mandelson, afirmou neste sábado em Genebra que a Argentina tem muito a ganhar no setor agrícola e nada a temer no setor industrial em caso de acordo na Organização Mundial do Comércio (OMC).

AFP |

"As exportações argentinas para a Europa serão muito ampliadas e a Argentina não tem nada a temer no que se refere ao acesso a seus mercados industriais", afirmou Mandelson em uma entrevista à imprensa.

Segundo o chefe negociador da União Européia (UE), nas negociações da abertura dos mercados que reúnem ministros de 35 países, as delegações latino-americanas mostram uma atividade amplamente positiva e são favoráveis a discutir sobre a base do pacote apresentado pelo diretor geral da OMC, Pascal Lamy.

A Argentina afirmou, no entanto, neste sábado que estava preocupada com as propostas que estão sobre a mesa, dizendo ainda que as decisões do Brasil vêm causando tensões no Mercosul.

"Acredito que o pacote oferece importantes oportunidades para a agricultura argentina", declarou o comissário europeu, tentando reverter a situação.

"Os argentinos vêm negociando duro e muito bem, e conseguiram uma disposição especial sobre suas tarifas aduaneiras", continuou Mandelson.

Fontes da delegação argentina indicaram que Buenos Aires conseguiu elevar de 10 para 22 o coeficiente de importações de manufaturados (quanto mais elevado o coeficiente, menores são os cortes das tarifas aduaneiras).

"Eles estão de parabéns e podem se sentir satisfeitos", afirmou Mandelson.

O chanceler argentino, Jorge Taiana, disse sexta-feira que as propostas de Lamy são inaceitáveis em seu estado atual.

A Argentina questiona o capítulo agrícola (redução de subsídios internos e de tarifas) e o industrial (tarifas), assim como o equilíbrio que resulta de ambos.

"Em agricultura as propostas são insuficientes e em produtos industriais muito elevadas", resumiu neste sábado o chefe das negociações argentino, Alfredo Chiaradia, em declarações à AFP.

As principais potências comerciais que negociam na OMC chegaram a um consenso sexta-feira sobre um esboço do acordo, dando novas esperanças a uma conclusão para a Rodada de Doha de liberalização mundial do comércio, iniciada há sete anos.

O Brasil indicou que está pronto a aceitar o acordo, mas a Argentina não.

"A posição brasileira criou uma tensão no Mercosul, mas não por nossa causa", indicou Chiaradia.

O Mercosul, união aduaneira entre quatro países latino-americanos (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai), foi fundado em 1991.

js/lm

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