UE condena plano de pastor americano de queimar Alcorão

Pastor batista planeja queimar livro sagrado dos muçulmanos para marcar nono aniversário dos ataques do 11 de Setembro

AFP | 08/09/2010 09:02

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A União Europeia (UE) condenou nesta quarta-feira a intenção do pastor de uma igreja evangélica dos Estados Unidos de queimar exemplares do Alcorão no sábado, quando os atentados do 11 de Setembro completam nove anos.

Foto: AP

Pastor Terry Jones em Gainesville, Flórida. Ele planeja queimar cópias do Alcorão para marcar o nono aniversário do 11 de Setembro de 2001 (30/08/2010)

"Claramente condenamos essa ideia", declarou à imprensa a porta-voz Catherine Ashton, chefe da diplomacia da UE. "A UE respeita todas as crenças religiosas e esse não é o melhor caminho a seguir", disse a porta-voz.

Apesar das advertências e apelos da Casa Branca, Vaticano, Irã e do comandante dos soldados internacionais no Afeganistão, o pastor Terry Jones, da igreja batista Dove World Outreach Center, confirmou na terça-feira que queimará o Alcorão no nono aniversário dos atentados do 11 de Setembro, defendendo um dia internacional de queima do livro sagrado dos muçulmanos.

"Estamos firmemente determinados a fazê-lo", disse à CNN Jones, pastor da igreja criada em 1986 e localizada em Gainesville, no sudeste da Flórida. "Sabemos que esse ato poderá efetivamente ofender, mas acreditamos que a mensagem que tentamos transmitir seja muito mais importante que o fato dessas pessoas se ofenderem. Acreditamos que não devemos retroceder diante dos perigos do Islã", completou.

O procurador-geral dos Estados Unidos (ministro da Justiça), Eric Holder, qualificou de "idiota e perigoso" o plano da igreja, segundo declarações feitas por um líder religioso ao fim de uma reunião da qual participou o alto funcionário. "Ele disse - eu cito -, o projeto de Gainesville é 'idiota e perigoso'", declarou Farhana Khera, representante da comunidade muçulmana, após reunião organizada no Departamento de Justiça com líderes religiosos.

Mais cedo, o general americano David Petraeus, comandante das forças da Otan e das tropas americanas no Afeganistão, avisou que o ato serviria de propaganda à milícia islâmica do Taleban no Afeganistão e reforçaria o sentimento antiamericano no mundo muçulmano.

"Estou muito preocupado com as possíveis repercussões", disse Petraeus. "Poderá colocar em perigo as tropas e o esforço global no Afeganistão. É precisamente esse tipo de ação que o Taleban utiliza e poderá desencadear problemas significativos", completou o general.

O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, concordou com Petraeus. A queima do Alcorão "coloca nossas tropas em uma situação perigosa". O Osservatore Romano, o jornal do Vaticano, publicou um artigo cujo título era "Que ninguém queime o Alcorão", enquanto o Irã advertiu que o ato poderá provocar reações "incontroláveis".

"Aconselhamos os países ocidentais a impedir a exploração da liberdade de expressão para insultar livros sagrados, caso contrário os sentimentos provocados nas nações muçulmanas não poderão ser controlados", afirmou o porta-voz do Ministério de Assuntos Externos iraniano, Ramin Mehmanparast.

O porta-voz do Departamento de Estado americano, Philip Crowley, qualificou a ideia de "provocadora, desrespeitosa e intolerante". Na Indonésia, país com maior população muçulmana no mundo, a minoria cristã também teme tensões.

A organização que reúne 20 mil igrejas cristãs protestantes da Indonésia enviou uma carta ao presidente Barack Obama para que ele intervenha no caso.

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