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Kiev - A Ucrânia pediu hoje que a Rússia abandone a política de ameaças relativas a suas intenções de entrar na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), e pediu que sua soberania e integridade territorial sejam respeitadas.

"A Chancelaria pede à parte russa o fim da prática de ameaças em relação à Ucrânia e que se atenha ao tratado de amizade, cooperação e associação assinado pelos dois países", informa o Ministério de Exteriores ucraniano, em comunicado.

A nota oficial afirma que esse acordo "contempla a obrigação mútua de respeitar a soberania, a integridade territorial e inviolabilidade das fronteiras".

"O tratado considera inaceitável as ameaças de uso da força e a interferência nos assuntos internos", afirma.

O ministério ucraniano qualifica de "antiucranianas" as afirmações feitas recentemente "por altos funcionários russos que colocam em dúvida" a integridade territorial do país.

"A Ucrânia é um Estado independente e decide de maneira autônoma sua política interna e externa, destinada a garantir a defesa dos interesses nacionais", afirma o comunicado.

A atitude russa, acrescenta, mostra que "a opção euroatlântica da Ucrânia é a única forma de garantir a segurança do Estado".

"A Ucrânia tomará todas as medidas contempladas pelo direito internacional para a defesa de sua soberania e independência.

Conseqüentemente, a Ucrânia deve ser integrada, o mais rápido possível, à Otan", afirma a nota.

Em particular, a Chancelaria ucraniana se referiu às afirmações feitas na sexta-feira pelo chefe do Estado-Maior do Exército russo, general Yuri Baluyevsky, que ameaçou adotar "medidas militares" para defender suas fronteiras, no caso da entrada da Ucrânia e da Geórgia na Aliança Atlântica.

Esta semana, o ministro de Exteriores russo, Serguei Lavrov, também disse em entrevista à emissora de rádio "Eco de Moscou" que a Rússia "fará tudo o que estiver em suas mãos" para evitar a entrada da Ucrânia e da Geórgia na Otan.

Segundo o jornal "Kommersant", o presidente russo, Vladimir Putin, ameaçou durante a recente cúpula da Otan, em Bucareste, reivindicar a península da Criméia, e colocou em dúvida a viabilidade do Estado ucraniano.

Em fevereiro passado, Putin advertiu que a Rússia teria que apontar seus mísseis na direção da Ucrânia, caso esta nação inclua em seu território bases militares da Otan ou elementos do escudo antimísseis americano.

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