Ucrânia investiga morte de milhões em coletivização forçada de Stalin

Kiev, 25 mai (EFE).- O Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) abriu hoje um processo de investigação por genocídio em relação à morte de milhões de camponeses ucranianos durante a coletivização forçada da terra decretada por Stalin nos anos 1930.

EFE |

O processo se refere "à criação artificial por parte dos bolcheviques de um regime de crise de fome que levou ao extermínio em massa da população civil", assegurou Valentín Nalivaichenko, chefe do SBU, citado pelas agências locais.

O Serviço de Segurança da Ucrânia iniciou a investigação a pedido dos presidentes do Instituto Nacional da Memória, Igor Yukhnovsky, e da Associação de Investigação do Holodomor (crise de fome em ucraniano), Levko Lukyanenko, vários deputados e cidadãos.

"Pediram que abríssemos uma investigação sobre as circunstâncias do assassinato de milhões de ucranianos como grupo nacional a fim do completo extermínio físico", ressaltou.

O SBU afirma que os bolcheviques começaram, já em 1921, as atividades para "impedir a criação de um estado independente ucraniano", com o objetivo de "desnacionalizar a Ucrânia".

"Estas ações ilegítimas buscavam matar de fome os ucranianos como grupo nacional. Por causa desses crimes estatais, também sofreram os membros de outros povos", destacou.

Na hora de iniciar o processo, os serviços secretos se baseiam em depoimentos de testemunhas extraídos dos arquivos secretos soviéticos, e se guiam pelas leis nacionais e convenções internacionais.

O presidente da Ucrânia, Viktor Yushchenko, a quem os serviços secretos estão subordinados, afirma que "o Holodomor é uma das maiores catástrofes humanas da história".

Ele calculou em até dez milhões os ucranianos mortos entre 1932 e 1933, um número bem maior que os falecidos durante a ocupação nazista na Segunda Guerra Mundial.

Os historiadores ucranianos afirmam que a coletivização não estava dirigida só contra os fazendeiros opostos ao regime de Moscou, mas contra todo o povo ucraniano, devido a seus desejos independentistas.

Essa não é a opinião dos historiadores russos, que consideram que a crise de fome não foi uma limpeza étnica dirigida à eliminação de todo um povo (ucraniano) ou nação, segundo a definição de genocídio da ONU, mas teve como alvo os proprietários da terra por toda a URSS.

O presidente russo, Dmitri Medvedev, qualificou de "imoral" culpar a Rússia pela morte de milhões de pessoas na crise de fome stalinista, episódio histórico o qual descreveu como uma "desgraça comum" de todos os habitantes da extinta URSS.

Caso Moscou assuma a responsabilidade que corresponde à União Soviética e reconheça a crise de fome como "genocídio contra o povo ucraniano", terá que indenizar Kiev por danos econômicos e morais.

Segundo historiadores ucranianos, na primavera de 1933 até 25 mil pessoas chegaram a morrer por dia na Ucrânia, enquanto foram reportados muitos casos de canibalismo, como descrito nos relatórios da KGB e nas cartas das vítimas reveladas recentemente.

Países como Estados Unidos e Canadá, Itália, Geórgia, Austrália, Argentina, Polônia, Hungria, Lituânia e Estônia já reconheceram o Holodomor como genocídio.

Já Israel se recusa a admitir isso, por considerar exclusivamente "como ato de genocídio o extermínio por motivos étnicos", segundo o embaixador desse país em Moscou. EFE bk/db

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