UA pede diálogo entre Governo e oposição do Zimbábue

Susana Samhan Sharm el-Sheikh (Egito), 1 jul (EFE).- A União Africana (UA) conseguiu hoje superar as diferenças entre seus líderes e propôs o início de um diálogo para o estabelecimento de um Governo de união nacional no Zimbábue.

EFE |

A UA disse que tentou "encorajar o presidente Robert Mugabe e o líder do partido de oposição Movimento para a Mudança Democrática (MDC, na sigla em inglês), Morgan Tsvangirai, a cumprir seu compromisso de iniciar o diálogo para promover a paz, a estabilidade e a reconciliação entre o povo do Zimbábue".

A organização africana fez este pedido em comunicado divulgado ao fim da 11ª cúpula da UA, que aconteceu nos últimos dois dias em Sharm el-Sheikh, no Egito.

O porta-voz do Ministério de Relações Exteriores egípcio, Hossam Zaki, disse em coletiva de imprensa após a reunião que, durante sua discurso, Mugabe anunciou que "está havendo um diálogo entre o MDC e o partido do Governo União Nacional Africana do Zimbábue (Zanu-PF, na sigla em inglês)".

Nesse sentido, o chefe de imprensa do escritório presidencial do Zimbábue, George Charamba, descartou a realização de um diálogo similar ao efetuado no Quênia para a criação de um Governo de união nacional.

O anúncio sobre o início das negociações contrasta com o comunicado emitido hoje pelo MDC, no qual nega as conversas com o Executivo de Mugabe.

Além disso, o partido opositor zimbabuano descartou a realização de negociações no futuro, já que "as vergonhosas eleições de 27 de junho exterminaram total e completamente qualquer perspectiva de um acordo".

Mesmo assim, a UA mostrou seu apoio "à criação de um Governo de união nacional" para solucionar a crise política do Zimbábue, dada a "disposição dos líderes políticos" do país africano para começar as negociações.

Além disso, a UA manifestou sua preocupação com a "violência e a perda de vidas" no Zimbábue e expressou a necessidade de criar "um ambiente que conduza à democracia e ao progresso".

A crise zimbabuana foi a grande protagonista da cúpula da UA, na qual os dirigentes africanos, das 53 delegações participantes, estiveram profundamente divididos.

Entre os países que mostraram posturas mais duras em relação ao Zimbábue estiveram Nigéria e Botsuana.

Para a Nigéria, antes de qualquer negociação deve se tratar sobre o que aconteceu no pleito presidencial, cujo segundo turno aconteceu na sexta-feira passada e terminou com a vitória de Mugabe, único candidato concorrente após a saída de Tsvangirai, devido à onda de violência durante a corrida eleitoral.

Já o vice-presidente de Botsuana, Mompati Merafhe, pediu a exclusão do Zimbábue das cúpulas e ressaltou que "deveria ser impedida a presença dos representantes do 'Governo' atual do Zimbábue nas reuniões da UA e da Comissão para o Desenvolvimento da África Austral (SADC, na sigla em inglês)".

Segundo Merafhe, o resultado das eleições no país africano "não confere legitimidade ao Governo do presidente Robert Mugabe".

Diante das críticas, Mugabe, de 84 anos, disse que não recebe "lições de democracia" de Nigéria, Botsuana ou qualquer outro país, segundo afirmaram fontes da UA presentes nas sessões, que aconteceram às portas fechadas, à Agência Efe.

O regime de Mugabe, que governou ininterruptamente o Zimbábue desde sua independência do Reino Unido em 1980, reprimiu duramente seus oponentes, após o MDC vencer o primeiro turno das eleições de passado 29 de março.

Segundo o MDC, mais de 90 de seus seguidores morreram e centenas foram detidos. EFE ssa/rb/plc

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