UA pede ao Executivo e à oposição do Zimbábue um governo de união nacional

SHARM EL-SHEIK - A União Africana (UA) pediu, nesta terça-feira, ao Executivo e à oposição do Zimbábue que iniciem um diálogo para o estabelecimento de um governo de união nacional.

Redação com agências internacionais |

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O presidente Robert Mugabe participa da cúpula da UA
A UA fez este pedido no comunicado final da cúpula de chefes de Estado da instituição, que foi realizada na localidade litorânea egípcia de Sharm el-Sheikh.

"Lições de democracia"

Robert Mugabe disse hoje que não recebe "lições de democracia" de nenhum país, em seu discurso na cúpula da União Africana (UA), disseram à Agência EFE fontes diplomáticas presentes na reunião.

As fontes, que pediram para não ser identificadas, comentaram que Mugabe pronunciou - "muito zangado" - um discurso de cerca de 40 minutos aos chefes de Estado presentes na cúpula, realizado na localidade litorânea egípcia de Sharm el-Sheikh.

Anteriormente, o governo do Zimbábue rejeitou um diálogo similar ao realizado no Quênia entre o governo e a oposição para a criação de um Executivo de união nacional. Em declarações aos jornalistas, o chefe de imprensa do escritório presidencial do Zimbábue, George Charamba disse que "o Quênia é o Quênia. O Zimbábue é o Zimbábue".

"Nós temos nossa própria história de diálogo e nossa forma de resolver nossas divergências ao modo zimbabuano. Ao estilo do Zimbábue, não ao estilo do Quênia", disse.

Charamba fez estas declarações em um breve comparecimento diante da imprensa nos corredores do centro de conferências da localidade egípcia de Sharm el-Sheikh, onde acontece a 11ª cúpula de chefes de Estado da União Africana (UA).

O porta-voz rejeitou qualquer ingerência estrangeira e disse que é um problema que os zimbabuanos devem resolver.

Além disso, negou aos repórteres que o presidente Robert Mugabe vá renunciar ao posto.

"Ele veio aqui como presidente do Zimbábue e irá para casa como presidente do Zimbábue, e quando visitarem o Zimbábue ali estará como presidente do povo do Zimbábue".

A crise zimbabuana está sendo o principal foco de atenção midiática da cúpula, onde existem divisões entre os principais líderes africanos sobre como abordar uma solução.

Enquanto países como o Quênia defendem o envio de tropas da UA ao país, outros, como a África do Sul, sustentam a via da negociação entre o governo e a oposição local.

Entenda a crise no Zimbábue

No primeiro turno do pleito, realizado no dia 29 de março, o candidato do partido opositor Movimento pela Mudança Democrática (MDC), Morgan Tsvangirai, de 56 anos, venceu por cinco pontos de vantagem sobre Mugabe.

Tsvangirai abandonou a corrida eleitoral uma semana antes do segundo turno, para denunciar a repressão praticada contra seus partidários. A violência, segundo o ex-candidato, deixou ao todo 200.000 desabrigados, 10.000 feridos e 90 mortos desde o fim de março.

Na segunda-feira, observadores da UA que fiscalizaram a votação no Zimbábue admitiram que o pleito não foi realizado "de acordo com as normas democráticas" da organização.

A crise política e econômica do Zimbábue arruinou um país antes próspero, fazendo nascer ali a pior hiperinflação do mundo atual e indispondo-o com seus vizinhos, em especial a África do Sul, para onde fugiram milhões de pessoas até agora.

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