UA descarta criação dos Estados Unidos da África

Adis-Abeba, 4 fev (EFE).- A Cúpula da União Africana (UA), cujo encerramento era previsto para esta terça-feira, concluiu hoje suas sessões sem que os 53 países-membros chegassem a um acordo sobre a proposta de criação imediata dos Estados Unidos da África, feita pelo novo presidente do organismo, Muammar Kadafi.

EFE |

A 12ª segunda Sessão Ordinária da Assembleia da UA, que tinha como lema "Desenvolvimento da Infraestrutura na África, com ênfase no transporte, energia e investimentos", foi precedida, no domingo, por um debate, a portas fechadas, dos países que apoiam a criação de um Governo continental.

Este eventual Governo comum africano, que toma como exemplo o sistema da União Europeia (UE), foi impulsionado desde 1969 pelo líder líbio, mas a iniciativa não vingou devido à rejeição de alguns países, que temem perder parte de sua soberania.

Kadafi, que destinou grandes somas de dinheiro para promover a União Africana, chegou a sugerir a formação de um Exército pan-africano integrado por mais de um milhão de soldados e que ficasse encarregado de defender a África de qualquer agressão externa e de combater as guerras internas dos países-membros.

A iniciativa de Kadafi encontra maior oposição na região da África Meridional, liderada pela África do Sul, a potência econômica do continente, que não aprova a ideia de vincular o desenvolvimento do país ao de outras regiões africanas, e prefere uma integração gradual.

Ao fim da sessão especial do Governo da União Africana, no domingo, o até então presidente da UA, o tanzaniano Jakaya Kikwete, anunciou o adiamento da criação dos Estados Unidos da África, mas afirmou que a comissão do organismo pan-africano começaria a ser chamada de Autoridade e ganharia mais competências.

Após debaterem nos dois dias economia, desenvolvimento, problemas políticos e conflitos, os líderes africanos, após a insistência de Kadafi, continuaram a discussão sobre a integração continental.

Os líderes decidiram que o Conselho Executivo da UA, composto pelos ministros de Exteriores do continente, se reunirá dentro de três meses para preparar uma nova proposta para tentar conseguir um Governo continental e que será debatida na próxima conferência da organização, prevista em julho em Madagascar. EFE mc/db

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