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Tzipi Livni readapta suas raízes nacionalistas em prol da paz com palestinos

Elías L. Benarroch.

EFE |

Jerusalém, 18 set (EFE).- Tzipi Livni, ministra de Relações Exteriores de Israel que deseja liderar o próximo Governo após vencer as primárias do Kadima na última quarta, readaptou suas raízes nacionalistas em prol de um processo de paz com os palestinos.

Filha de Eitan Livni - comandante do Irgun, grupo independentista que optou pela luta armada e no qual sua mãe também militava -, a chefe da diplomacia israelense nasceu e cresceu no seio de uma família impregnada da ideologia ultranacionalista do "Grande Israel".

Uma corrente cuja aspiração era criar um Estado Judaico em todo o Mandato Britânico da Palestina, vértice do sionismo revisionista de Ze'ev Jabotinsky e que incluía os territórios palestinos.

Não é estranho hoje escutar Livni dizer palavras como "retirada da Judéia e Samaria (Cisjordânia)". Ela também não descarta a devolução de algumas partes de Jerusalém, que considera o "coração" da identidade de "todo" o povo judeu.

Aquela menina de Tel Aviv, dos acampamentos do movimento juvenil Betar - reduto de militantes revisionistas e de seus herdeiros políticos, os partidos Herut e Likud - ficou para trás.

Recentemente, o secretário-geral do Betar, Dani Danon, estimulou publicamente Livni a voltar ao movimento juvenil para a "redoutrinação" para demonstrar os "valores e ideais" que guiavam seus passos até poucos anos atrás.

A mudança aconteceu em 2005, quando, como o resto de correligionários que abandonaram o Likud para criar o Kadima, ela percebeu a necessidade de "separar" Israel dos palestinos e buscar uma saída para o conflito com base na solução de "dois Estados para dois povos".

"As negociações representam, em primeiro lugar, os interesses de Israel. Não é um favor que nós fazemos aos palestinos", declarou Livni em uma de suas últimas entrevistas.

Por trás desta mudança se escondiam relatórios demográficos que alertavam que, em menos de três décadas, a população palestina superaria a de judeus, e que em menos tempo ainda seria impossível evitar um Estado binacional.

Desde então, Livni abriu sua porta para o atual primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad, e depois, no Ministério de Exteriores - ao qual chegou em 2006 -, encorajou o diálogo com a Autoridade Nacional Palestina (ANP), do presidente Mahmoud Abbas.

Após a cúpula de Annapolis, nos Estados Unidos em 2007, Livni passou a comandar a equipe israelense nas negociações de paz.

Desta forma ela se transformou em alguém mais agradável que o ministro dos Transportes, Shaul Mofaz - que nas primárias ficou a apenas 1,1% dela -, para os eleitores de centro e de centro-esquerda em uma possível eleição legislativa antecipada, caso a ministra não conserve a maioria governamental.

As aspirações de Livni, que entrou na política em 1996, não eram segredo para ninguém desde que seu "padrinho" e ex-chefe de Governo israelense Ariel Sharon a nomeou ministra em 2003 e a apresentou à imprensa como "uma futura primeira-ministra".

Israel já tenha tido um chefe de Governo do sexo feminino, Golda Meir (1969-1974), embora, fora o fato de serem mulher e de terem passado pelo ministério de Relações Exteriores, quase nenhum paralelismo possa ser traçado entre elas, nem no plano pessoal nem no político.

Livni, de 50 anos, tenta fugir de classificações e descrições que costumavam ser dadas à sua antecessora - "Dama de Ferro" e "o único homem no Governo" -, apresentando a imagem de uma mulher de seu tempo com as mesmas aptidões e aspirações de um homem.

A ministra nem sequer fazia parte do grupo que exigia uma mulher no Parlamento e sempre desejou competir na mesma linha com os candidatos homens e não ser vista como feminista.

Casada e mãe de dois filhos, Livni também luta contra a corrupção e pela renovação institucional, da qual desfruta por causa da sua curta e intensa carreira política. EFE elb/fh/fal

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