Tzipi Livni inicia 6 semanas de trabalho em busca de novo Governo de Israel

Antonio Pita. Jerusalém, 22 set (EFE).- A ministra de Relações Exteriores de Israel, Tzipi Livni, tem a partir de agora seis semanas para tentar colocar de pé um novo Governo em Israel, após aceitar hoje esta incumbência do presidente do Estado de Israel, Shimon Peres.

EFE |

Livni e Peres afirmaram isto em uma entrevista concedida hoje na residência oficial de Peres em Jerusalém, um dia após Ehud Olmert oficializar sua renúncia como primeiro-ministro.

Após algumas palavras de Peres, Livni explicou que sua "principal prioridade" é montar um Governo "estável" que atue até que acabe a atual legislatura parlamentar, em 2010.

"Acho que Israel precisa de estabilidade e de uma mão condutora.

Tenho absoluta confiança em minha capacidade para liderar o Estado de Israel com a plena, honesta e genuína cooperação de todos os partidos convidados a se juntarem à coalizão, pelo bem do Estado de Israel e de seus cidadãos", declarou.

Em seu discurso Livni pediu ao ex-primeiro-ministro e líder do Likud (principal partido da oposição), Benjamin Netanyahu, que integre o novo Governo.

Netanyahu rejeita esta opção e pede eleições antecipadas nas quais aparece como favorito na maior parte das pesquisas.

Livni, que venceu na última quarta as primárias de seu partido, o Kadima, tem agora um mês e meio para construir um novo Governo.

Caso consiga isto se transformará na segunda primeira-ministra nos 60 anos de história do Estado de Israel, após a lendária Golda Meir, que conduziu o Governo entre 1969 e 1974.

Para isto precisa do apoio de pelo menos 61 dos 120 deputados do Parlamento israelense ou alcançar uma maioria simples que dependa do apoio pontual de pequenos partidos.

A atual coalizão governamental tem 64 cadeiras: 29 do Kadima, 19 trabalhistas, 12 do partido ultra-ortodoxo Shas e quatro do Partido dos Aposentados.

Mas, se a líder da diplomacia israelense fracassar em sua missão, Peres pode encarregar outra pessoa a formar o Governo ou a convocar eleições antecipadas, possivelmente para março de 2009.

Livni anunciou hoje que dará voz às urnas caso não consiga formar um novo Governo, uma tarefa inicialmente complexa pelas exigências dos diferentes partidos.

Em qualquer dos dois casos, Olmert continuará como primeiro-ministro interino até que um novo Governo surja.

Desde que venceu as primárias do Kadima, Livni se reuniu com líderes de diferentes partidos para elaborar uma nova coalizão de Governo.

Ontem à noite ela se encontrou com o ex-primeiro-ministro, atual ministro da Defesa e líder trabalhista, Ehud Barak, a quem prometeu uma "plena associação" caso aceite se integrar no novo Governo, publica hoje o jornal "Ha'aretz".

O Shas, por outro lado, condiciona sua permanência na coalizão governamental à recuperação no orçamento geral das subvenções para as famílias com muitos membros e a que a eventual divisão de Jerusalém fique fora da negociação com os palestinos.

Apesa de ser menos provável, Livni também pode optar por uma combinação de centro-esquerda com os 19 deputados trabalhistas, os 5 do pacifista Meretz, os 4 dos Aposentados, e os 3 de Justiça para o idoso, ficando a apenas um deputado da maioria absoluta.

Dependeria então do apoio concreto de pequenos partidos, como o ortodoxo Judaísmo Unido da Torá ou os três partidos de árabes com cidadania israelense, sempre e quando continuasse vivo o processo de paz com os palestinos.

Livni lidera a equipe israelense que negocia com os palestinos com o objetivo de assinar antes do final do ano um acordo de paz que acabe com décadas de conflito no Oriente Médio e do qual surja o Estado palestino. EFE ap/fal

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