A ministra israelense das Relações Exteriores, Tzipi Livni, é considerada em Israel uma mulher íntegra e moderada, mas não tem o apoio unânime de seu partido.

Número dois do governo israelense, Livni, de 49 anos, pediu em maio a realização de primárias no partido Kadima tendo em vista eleições antecipadas e com a esperança de suceder Olmert, que anunciou sua saída após seu envolvimento em um escândalo de corrupção.

Ao contrário de Olmert, Tzipi Livni, que é considerada a mulher mais poderosa de Israel desde Golda Meir, nunca teve problemas com a justiça.

Olmert anunciou na quarta-feira que não se candidatará em setembro às eleições primárias de seu partido Kadima, e com isso desistirá de se manter no cargo.

O Kadima realizará suas eleições primárias em setembro, no dia 17, segundo a imprensa israelense. A ministra das Relações Exteriores, Tzipi Livni, surge como favorita, seguida de perto por Shaul Mofaz, ministro dos Transportes.

Segundo uma pesquisa divulgada quarta-feira à noite, o ex-primeiro-ministro conservador Benjamin Netanyahu derrotaria Livni e Mofaz em caso de eleições antecipadas.

Esta advogada, de aparência sempre impecável e catapultada para o topo de seu partido por Ariel Sharon, fundador do Kadima, suscita desconfiança em sua formação.

As divergências entre Livni e Olmert ficaram claras em 2007, quando se declarou a favor da demissão do primeiro-ministro após a divulgação de um relatório sobre os erros da guerra de 2006 no Líbano.

Sua amizade com a secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, desperta também as suspeitas dos falcões do Kadima, que a consideram Rice moderada demais em relação à questão palestina.

Antes partidária de um Grande Israel que incluísse os territórios palestinos, sob a influência de Sharon, Livni se rendeu à evidência de que a única moneira de Israel preservar seu caráter judaico e democrático é renunciar pelo menos a uma parte dos territórios ocupados desde 1967.

Essa mulher elegante nasceu em uma família da direita ultranacionalista, mas isso não a impediu de estar entre os fundadores do Kadima.

Após o derrame cerebral de Sharon, em janeiro de 2006, se juntou a Olmert, que a designou como chefe da diplomacia, transformando-a assim na mulher mais poderosa do Estado hebreu.

Mãe de dois filhos, moradora de Tel Aviv, trabalhou para o Mossad (1980-84) como especialista em Direito Comercial, e teve uma carreira política meteórica desde sua entrada na Kneset, o Parlamento israelense, em 1999.

Seu pai Eytan Livni e sua mãe Sarah eram membros ativos do Irgun, a conhecida organização armada clandestina judaica que lutava com bombas contra o mandato britânico antes de formar o núcleo do Likud, partido de direita hoje liderado por Netanyahu.

Ela deixou esse partido, considerando suas posições "ultranacionalistas" demais, para seguir Ariel Sharon na fundação do Kadima em novembro de 2005.

Hoje, Livni lidera a equipe israelense nas negociações com os palestinos, iniciadas no final de novembro passado durante uma conferência em Annapolis, nos Estados Unidos, pelo presidente George W. Bush. Um processo árduo que coloca à prova a sua capacidade como negociadora.

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