Twitter, YouTube e Flickr rompem barreiras impostas pelo governo em protestos no Irã

SÃO PAULO - Com a intensificação dos protestos contra o resultado das eleições presidenciais no Irã e o aumento do cerco aos jornalistas estrangeiros no país, a internet é cada vez mais usada pelos próprios iranianos como forma de organizar manifestações e propagar informações sobre a situação do país.

Redação com agências internacionais |

Os internautas que estão no Irã conseguiram furar o bloqueio a sites de compartilhamento de conteúdo como o Flickr, YouTube e Twitter para divulgar fotos, vídeos e relatos em tempo real sobre os protestos a consequente repressão das forças do governo.

As autoridades iraninas bloqueram o acesso a sites como Facebook e YouTube, numa tentativa de calar as vozes da oposição. Linhas de celular também foram cortadas para impedir que manifestantes se comunicassem durante boa parte do fim de semana, quando os protestos estavam mais violentos.

O serviço de mensagens de texto (SMS), utilizado pela oposição para convocar os partidários de Mir Hosein Musavi, já estava fora de operação desde a manhã de sexta-feira, dia das eleições. Na sexta-feira, os internautas iranianos também perderam seu acesso a páginas da web como Youtube e Facebook, além de sites ligados ao reformismo iraniano.

Apesar de o governo do Irã, principal fornecedor dos serviços de telefonia e internet, ter bloqueado os acessos para tentar conter os protestos, internautas iranianos conseguiram burlar o veto aos principais sites de compartilhamento de informações acessando servidores " proxy " divulgados amplamente via Twitter durante o dia.

Iranianos nativos e usuários do Twitter, como @persiankiwi , @IranElection09 , @change_for_iran , entre outros, alimentaram em tempo real a situação dos protestos em diversas regiões de Teerã, capital do Irã.

O usuário @persiankiwi , por exemplo, conta com um grupo de amigos que passava informações dos protestos em tempo real via celular nos breves momentos em que a rede de telefonia era restabelecida. Ele foi um dos primeiros a confirmar a presença do candidato de oposição Hossein Mousavi nos protestos desta segunda-feira.


@persiankiwi confirma presença de Mousavi no comício / Reprodução

No site de buscas do Twitter , é possível filtrar as informações para receber apenas as atualizações de internautas que se encontram na região de Teerã . Deste modo, é possível ver, por exemplo, usuários informando novos endereços de "proxy", usados para burlar a censura governamental na internet, além de relatos sobre os protestos que acontecem desde a sexta-feira.


Usuário dá o caminho do "proxy" para burlar o bloqueio / Reprodução

Fotos e vídeos

No Flickr, site de compartilhamento de fotos e pequenos vídeos, mais de 1.500 imagens do Irã desde sexta-feira, a maioria retratava os protestos dos partidários de Hossein Mousavi. O próprio perfil oficial do candidato derrotado Hossein Mousavi exibe centenas de imagens dos protestos apesar da tentativa de censura por parte do governo iraniano.

Vídeos dos confrontos entre manifestantes e forças de segurança também começaram a surgir no YouTube já na sexta-feira, dia das primeiras passeatas contra o resultado da eleição.

O usuário persianlover2007 publicou, na sexta-feira, um vídeo aparentemente gravado em um celular que mostra a polícia dispersando um protesto logo após o anúncio do resultado eleitoral. Imagens feitas do alto de prédios também mostraram policiais em motocicletas, armados com bastões, circulando pelas ruas do centro de Teerã.

Assista ao vídeo do usuário persianlover2007:

Com AP

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