Em 'documentário', mulher identificada como iraniana condenada a morte confessa adultério e assassinato do marido

O canal de televisão estatal iraniano Press TV exibiu na noite de sexta-feira um documentário no qual uma mulher identificada como Sakineh Mohammadi Ashtiani confessa ter traído seu marido e participado de seu assassinato.

O programa, chamado de "documentário" pela Press TV, mostra a mulher em sua casa, fazendo uma reconstituição do crime. Ela conta que cedeu ao assédio do empresário Isa Taheri após seu marido ficar desempregado e encontrar um trabalho em outra cidade. Os dois teriam mantido relações sexuais na fábrica do pai de Taheri.

No vídeo, Sakineh afirma que o amante a convenceu a drogar seu marido para deixá-lo inconsciente. Cerca de vinte minutos depois, ela abriu a porta da casa para que Taheri entrasse e eletrocutasse a vítima. No final do documentário, uma mensagem informa que Sakineh "continua presa" e que o Poder Judiciário seguirá adiante com o processo "sem se deixar influenciar" pelo "barulho" internacional.

Essa não foi a primeira suposta confissão da iraniana exibida pela TV. Em agosto, um programa político mostrou uma mulher apresentada como Sakineh dizendo que um homem com o qual tinha uma relação propôs a morte de seu marido e que ela permitiu que ele cometesse o crime na sua presença.

Na época, o advogado da iraniana afirmou a um jornal britânico que sua cliente tinha sido agredida violentamente e torturada para que aceitasse admitir a culpa na televisão iranaiana.

Fotos

Na quinta-feira, a divulgação de fotos de Sakineh e de seu filho, Sajjad Ghaderzadeh, na casa deles no Irã provocou boatos de que ela teria sido libertada. Um dia depois, a Press TV informou se tratar de imagens feitas durante a gravação do documentário.

O caso de Sakineh ganhou destaque internacional quando foi revelado há alguns meses que ela seria executada por apedrejamento, devido à acusação de adultério.

Mulher identificada como Sakineh Ashtiani, em foto divulgada pela TV estatal do Irã
AFP
Mulher identificada como Sakineh Ashtiani, em foto divulgada pela TV estatal do Irã

Depois de muita pressão internacional, as autoridades iranianas afirmaram que a sentença de apedrejamento tinha sido suspensa, mas ela ainda enfrentaria a sentença de morte pelo assassinato do marido.

Correspondentes afirmam que a imprensa do Irã tem mostrado Sakineh como uma assassina comum, ao invés de adúltera, como uma forma de tentar diminuir a pressão internacional devido à sentença por apedrejamento.

Com BBC e EFE

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