Tutu pede a atletas que falem sobre direitos humanos na China

PRAGA (Reuters) - O ex-presidente tcheco Vaclav Havel e o vencedor do prêmio Nobel da paz Desmond Tutu pediram aos atletas olímpicos, nesta quinta-feira, que abordem a questão dos direitos humanos na China durante os Jogos Olímpicos, que começam no mês que vem. Tutu, bispo sul-africano, e Havel, defensor dos direitos humanos preso pelo governo comunista antes de sua queda em 1989, disseram em uma carta aberta que o Comitê Olímpico Internacional (COI) deve fazer com que os atletas tenham conhecimento da supressão de liberdades na China.

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'É necessário que todos os olimpianos saibam sobre a realidade da China e que apontem as violações aos direitos humanos abertamente, seja onde for ou quando for, guiados por sua consciência', diz a carta.

'Pedimos ao COI que torne isso possível', acrescentaram Tutu e Havel no documento.

Pequim tem sido alvo de críticas de grupos internacionais de defesa dos direitos humanos devido à prisão de um famoso dissidente e à censura aplicada em alguns sites da Internet, além de sua política internacional e restrições aos direitos humanos. Com a chegada da Olimpíada, as críticas têm aumentado.

O COI se esforça para que temas de cunho político não invadam as cerimônias e as provas esportivas.

Mas os atletas devem se pronunciar e o COI deveria permitir que façam isso, diz a carta, também assinada pelo dissidente chinês Wei Jingsheng e pelo vice-presidente do parlamento europeu, Edward McMillan-Scott.

'Falar das condições dos direitos humanos... não pode ser violação da licença olímpica', diz a carta.

'Falar de direitos humanos não é política; somente regimes autoritários e totalitários tentam fazer com que seja visto assim. Falar dos direitos humanos é um dever'.

Havel irritou o governo chinês em várias ocasiões durante seu período como presidente (1989-2003), principalmente devido à sua amizade com o líder espiritual tibetano, o Dalai Lama.

(Por Jan Lopatka)

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