Turquia restringe uso de espaço aéreo a voos militares de Israel

Medida é retaliação a ataque israelense à frota humanitária; premiê de Israel deporá em comissão que investiga ação militar

iG São Paulo |

A Turquia restringiu o uso de seu espaço aéreo por Israel, de acordo com uma declaração do primeiro-ministro turco e com informações de uma autoridade do governo.

O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, disse nesta segunda-feira que o espaço aéreo de seu país foi fechado depois do ataque israelense contra uma frota de ajuda humanitária à Faixa de Gaza em 31 de maio, em que morreram nove turcos. A ação militar estremeceu a relação entre os dois países.

Mas, segundo um diplomata turco, não é todo o espaço aéreo que foi fechado. De acordo com a fonte, um avião militar israelense foi proibido de usar o espaço aéreo do país após o ataque de 31 de maio , acrescentando que as permissões para voos similares serão estudadas caso a caso. Segundo ele, os voos civis continuam normalmente entre os dois países.

Investigação do ataque

O anúncio do governo turco foi feito no mesmo dia em que começou em Jerusalém a investigação interna israelense sobre o ataque à embarcação, com a informação de que o primeiro-ministro Benyamin Netanyahu será um dos primeiros a depor.

O líder da comissão e juiz aposentado do tribunal supremo israelense, Jacob Turkel, disse que o ministro da Defesa Ehud Barak e o chefe do Estado-Maior Gaby Ashkenazi também serão convocados em breve.

Turkel apresentou os outros dois membros do comitê: Amos Horev, comandante-geral aposentado de 86 anos que participou de investigações internas anteriores de ações militares israelenses, e Shabtai Rozen, um analista em Direito Internacional de 93 anos.

O órgão tem como objetivo "esclarecer" os fatos (não atribuir responsabilidades aos políticos e militares que tomaram as decisões) e conta com dois observadores internacionais sem direito a voto: o norte-irlandês William David Trimble, prêmio Nobel da Paz, e o canadense Ken Watkin, ex-promotor general do Exército do Canadá.

Trimble manifestou nesta seguna-feira que os membros do comitê estão "decididos a fazer uma investigação rigorosa", o que representaria uma "contribuição positiva para a paz".

A comissão não vai interrogar os soldados que participaram da abordagem, efetuado em águas internacionais, e se limitará a receber o resumo das respostas dadas ao grupo de analistas do próprio Exército israelense.

O objetivo da comissão será determinar se as ações do Estado de Israel para impedir a chegada do comboio humanitário a Gaza ocorreram conforme o direito internacional. A comissão também deverá se pronunciar sobre a legalidade do bloqueio marítimo que mantém sobre o enclave palestino.

*Com EFE e AFP

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