Turquia recebe corpos de ativistas mortos em Gaza

Milhares de pessoas compareceram ao funeral de 8 vítimas do ataque militar de Israel contra navios. País manifestou indignação

Reuters |

JERUSALÉM - Em clima de indignação, os turcos receberam nesta quinta-feira os corpos dos ativistas mortos no confronto naval de segunda-feira na costa da Faixa de Gaza, enquanto Israel, tentando aplacar a indignação mundial, ofereceu realizar uma investigação com a participação de observadores internacionais.

Uma possível nova crise pode surgir, no entanto, com a ordem do governo israelense para que os militares impeçam que outro barco com ativistas chegue à Faixa de Gaza.

"Não vamos permitir que o barco entre em Gaza", disse o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu a ministros nesta quinta-feira, segundo relato feito por uma fonte do seu gabinete.

Tripulantes do navio MV Rachel Corrie dizem que ele chegará a Gaza até sábado.

Tanto neste caso quanto na frota anterior, os ativistas tentam levar mantimentos à Faixa de Gaza, furando o bloqueio imposto há anos contra o território palestino governado pelo grupo islâmico Hamas.

Netanyahu disse que ofertas para que a carga seja inspecionada no porto israelense de Ashdod foram rejeitadas, e que as forças israelenses devem usar "cautela e polidez" ao abordar a embarcação, de modo a evitar danos físicos aos seus passageiros.

Israel alega que seus soldados mataram os ativistas porque foram agredidos ao desembarcarem de um helicóptero no convés do navio Mavi Marmara.

A Turquia continuou manifestando indignação pela morte de nove cidadãos seus, um dos quais também era portador de passaporte norte-americano. Milhares de pessoas foram ao velório, em Istambul, de oito das vítimas da ação militar de segunda-feira.

"A Turquia jamais irá esquecer esse ataque contra os seus navios e sua gente em águas internacionais. As relações da Turquia com Israel jamais serão as mesmas outra vez", disse o presidente Abdullah Gul.

Protesto em Israel

Em Tel Aviv, quase mil israelenses indignados pelas críticas que vêm recebendo protestaram diante da embaixada da Turquia, país que até recentemente era o principal aliado islâmico de Israel.

Os manifestantes gritavam slogans contra políticos turcos, e uma TV israelense mostrou um rapaz agitando uma fotomontagem caracterizando o primeiro-ministro turco, Tayyip Erdogan, como Adolf Hitler.

Após dois dias incomunicáveis, ativistas que estavam nos barcos foram soltos por Israel e descreveram a ação israelense como um "banho de sangue", com pessoas sendo baleadas e tentativas desesperadas de atender os feridos.

O cinegrafista libanês André Abu Khalil, da TV Al Jazeera, disse que os ativistas inicialmente feriram e capturaram quatro soldados israelenses que desceram por cordas até o convés.

Uma segunda onda de soldados tentou ocupar o barco em seguida, quando os quatro soldados capturados já haviam sido levados para o porão.

Israel insiste que os ativistas alvejaram seus soldados com pistolas apanhadas dos militares.

Em meio à onda de indignação global, a Turquia retirou sem embaixador de Tel Aviv, e o vice-presidente dos EUA, Joe Biden, sugeriu que haja envolvimento internacional na investigação israelense, proposta aceita pelo chanceler de Israel, Avigdor Lieberman.

A reação dos EUA esteve entre as mais brandas. Muitos outros países acham que a investigação deveria ficar a cargo da Organização das Nações Unidas (ONU), e não de Israel, a exemplo do que aconteceu com a invasão militar israelense de dezembro de 2008 na Faixa de Gaza.

A comissão de inquérito da ONU viu indícios de crimes de guerra, o que Israel nega.

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