Turquia prende mais 18 militares ligados a plano golpista

ISTAMBUL - Mais 18 militares foram detidos nesta sexta-feira na Turquia na operação contra um plano golpista de 2003 que tinha como objetivo derrubar o premiê Recep Tayyip Erdogan, do Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP, de raiz islâmica), legenda no poder desde 2002.

iG São Paulo |

Segundo a emissora "NTV", os militares foram presos em uma operação policial lançada em 13 localidades diferentes. De todos os detidos, só um é da reserva. Como um tribunal de Istambul é o encarregado do caso, os 18 militares foram levados para a cidade.

As novas detenções ocorreram um dia depois de o presidente turco, Abdullah Gül, Erdogan e o chefe do Estado-Maior da Turquia, general Ilker Basbug,  terem decidiram solucionar a crise em um "marco constitucional" .

Na segunda-feira, enquanto Erdogan visitava a Espanha, 49 oficiais do Exército foram detidos , entre eles 17 generais da reserva e quatro almirantes na ativa. As detenções foram feitas pela polícia a pedido da Promotoria de Istambul, naquela que é considerada a primeira operação contra altos comandantes do Exército com essa magnitude em toda a história da República turca.

Os detidos são acusados de ter planejado um golpe de Estado em 2003, num plano chamado de "Balyöz". A conspiração golpista tinha previsto atentar contra duas mesquitas em Istambul, derrubar um avião militar turco no Mar Egeu para forçar um enfrentamento com a Grécia e prender intelectuais críticos ao Exército.

Alguns generais supostamente envolvidos garantiram que não se tratava de um plano de golpe de Estado, mas de "supostos cenários" discutidos durante um seminário.

As detenções de maior impacto foram as do ex-comandante da Aeronáutica Ibrahim Firtina, do ex-comandante da Marinha Ozden Ornek e do antigo número 2 do Estado-Maior conjunto Ergin Saygun.

A série de detenções elevou a tensão entre o governo islamita de Erdogan e o Exército turco, que protagonizou vários golpes de Estado nas últimas décadas e segue tendo forte influência na vida política.

O comandante do Estado-Maior declarou recentemente que a época dos golpes de Estado havia ficado para trás em um país que pretende integrar a União Europeia.

Mas, sob pressão da União Europeia (UE), o AKP, que desconfia dos generais a ponto de ter sido considerado ilegal em 2008 por atividades antilaicas, reduziu o poder do Exército e reforçou o das autoridades civis.

*Com informações da EFE e AFP

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