Turquia prende ex-chefe do Exército por suposto complô

Ilker Basbug é acusado de liderar organização terrorista e conspirar para derrubar o governo do premiê Recepp Tayyip Erdogan

iG São Paulo |

O ex-chefe das Forças Armadas turcas Ilker Basbug foi preso nesta sexta-feira, acusado de liderar uma organização terrorista e conspirar para derrubar o governo. É a primeira vez que um militar desta categoria é preso na Turquia.

Leia também: Chefes militares da Turquia renunciam em meio a disputas com governo

Reuters
O premiê turco, Recep Tayyip Erdogan, conversa com o então chefe das Forças Armadas, Ilker Basbug, em Ancara (28/02/2010)

Basbug, que chefiou o Exército de 2008 a 2010, foi interrogado por sete horas em um tribunal de Istambul e levado a uma prisão em Silivri, a cerca de 80 km da cidade.

A prisão está relacionada às investigações do caso conhecido como Ergenekon, nome de uma suposta rede ultranacionalista que estaria conspirando contra o governo do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan. A investigação já levou ao indiciamento de centenas de suspeitos, incluindo acadêmicos, advogados, jornalistas e diversos altos oficiais militares.

A Justiça turca acusa os militares de fundar dezenas de sites para atacar o governo em 2009, quando Basbug liderava o Exército. Vários suspeitos acusados de pertencer à Ergenekon teriam dito que o general estava envolvido no caso.

O advogado do militar, Ilkay Sezer, disse que seu cliente negou as acusações durante o interrogatório. De acordo com a rede NTV, Basbug disse ao tribunal que a acusação era “tragicômica”. “Estou sendo acusado de tentar derrubar o governo por causa de alguns pronunciamentos à imprensa e uma ou duas história na internet”, afirmou Basbug, segundo o jornal Hurriyet. “Se minha intenção era essa, podia ter agido de outra forma, já que comandava uma força de 700 mil homens.”

Antes de ser levado à prisão, Barbug disse a jornalistas que tinha sido acusado de “formar e liderar uma organização terrorista” e que deixaria seu julgamento a cargo do “grande povo da Turquia”.

A suposta conspiração foi divulgada em 2009 por um jornal turco que publicou uma cópia de um suposto plano para manchar a reputação do governo turco. O documento original nunca foi encontrado, fazendo com que a investigação tivesse resultado inconclusivo.

Os opositores de Erdogan afirmam que os julgamentos são uma tentativa de intimidação por parte do governo, além de denunciar prisões arbitrárias e irregularidades no processo legal.

No ano passado, os quatro principais comandantes do Exército, incluindo o sucessor de Barsburg, renunciaram ao cargo em protesto contra as prisões e julgamentos de militares.

Com AP e Reuters

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