As autoridades da Turquia anunciaram nesta segunda-feira a prisão de 40 pessoas - entre elas alguns comandantes militares do país - acusadas de conspiração para derrubar o governo do primeiro-ministro Tayyip Erdogan.

Soldado monta guarda enquanto polícia faz busca na casa de general aposentado

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busca em casa de general aposentado


Entre os detidos estão ex-comandantes da Aeronáutica e da Marinha turca, que são acusados de explodir mesquitas para estimular o caos e justificar um golpe militar, em uma conspiração que teria tido início em 2003.

A promotoria turca anunciou ainda a existência de gravações de conversas comprometedoras e a descoberta de depósitos clandestinos de armas.

Desde que a suposta conspiração para derrubar o premiê foi descoberta, mais de 400 pessoas, entre militares, acadêmicos, jornalistas e políticos, foram presas. Nenhuma delas, no entanto, foi condenada até o momento.

As Forças Armadas também negaram a participação em qualquer conspiração contra o governo. O primeiro-ministro Tayyip Erdogan, que está em viagem à Espanha, afirmou que não seria apropriado que ele comentasse "algo que está sendo tratado pelo Judiciário".

Já o vice-premiê, Bulent Arinc, afirmou que "nunca poderíamos sonhar com isso que acontece agora". "As coisas melhoram quando aqueles que nunca responderam por seus atos começam a responder", disse.

Polarização

No último domingo, Erdogan já havia declarado que seu governo não toleraria a ação de grupos acima da lei.

As Forças Armadas da Turquia já derrubaram quatro governos do país, entre 1960 e 1997, alegando que suas tendências islâmicas ameaçariam o caráter laico do Estado turco.

Correspondentes dizem que as recentes detenções são sintoma da crescente polarização entre os setores seculares da sociedade e o governo de Erdogan, de orientação islâmica.

Muitos acusam o partido de Erdogan, o AKP, que tem raízes no islamismo político, de pretender tornar a Turquia um Estado islâmico.

O partido nega as acusações, dizendo pretender apenas modernizar a Turquia e levar o país mais próximo de ser admitido na União Europeia.

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