ISTAMBUL (Reuters) - O governo turco, acusado de ter se aliado ao Hamas durante a recente guerra em Gaza, pediu ao grupo islâmico que abandone a luta armada e prefira meios pacíficos para alcançar seus objetivos, disse o chanceler do país, Ali Babacan, em entrevista publicada na terça-feira. Partidos de oposição da Turquia, ex-diplomatas e colunistas acusaram o governo de, com sua retórica inflamada, assumir uma posição excessivamente pró-Hamas e contra Israel.

"O Hamas deveria tomar uma decisão: quer ser uma organização armada ou um movimento político?", disse Babacan aos jornais Milliyet e Radikal.

"Nossa sugestão é de que eles trabalhem dentro do marco do sistema político. O partido apoiado pelo Hamas recebeu 44 por cento dos votos nas últimas eleições. É impossível ignorar essa base", afirmou.

A Turquia é um país predominantemente muçulmano, mas com governo laico. Graças a suas boas relações históricas com Israel e com os países árabes, Ancara teve papel ativo na mediação do fim do conflito, especialmente no sentido de convencer o Hamas a declarar uma trégua unilateral, junto com a de Israel.

O primeiro-ministro turco, Tayyip Erdogan, qualificou a ação militar israelense de "crime contra a humanidade", deplorou o uso excessivo da força e chegou a propor a expulsão de Israel da ONU.

Seus comentários chocaram Israel e foram interpretados por alguns analistas como um aceno político para o eleitorado islâmico da Turquia. O país passará por eleições em março.

"A abordagem de Babacan e suas palavras cuidadosamente escolhidas mostram que Ancara, que é criticada por ser pró-Hamas e até por ser um porta-voz do Hamas, agora está se deslocando para o centro", disse o respeitado colunista Fikret Bila.

(Reportagem de Paul de Bendern)

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