Turquia e Irã não chegam a acordo sobre construção de gasoduto

Andrés Mourenza Istambul, 14 ago (EFE) - O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, chegou hoje à Turquia em uma visita de trabalho de dois dias para, entre outros assuntos, avançar nas relações energéticas, mas, por enquanto, os países não chegaram a um acordo para construir um gasoduto que reforce a desejada troca de energia.

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No entanto, após a reunião de Ahmadinejad com o presidente turco, Abdullah Gül, na qual se falou dos conflitos no Cáucaso e no Oriente Médio, as delegações do Irã e Turquia trabalharam na assinatura de outros acordos que reforçassem a cooperação em campos como a luta contra o tráfico de drogas e o contrabando.

Quanto à cooperação energética, a cadeia "CNN-Türk" informou que os negociadores turcos e iranianos não foram capazes de superar as divergências em torno da construção de um gasoduto que reforce as linhas energéticas existentes.

Contudo, em comunicado oficial após a reunião de Ahmadinejad e Gül afirma que "os dois países se comprometem a continuar os esforços para desenvolver os campos da eletricidade e do gás", e, especialmente, "o transporte de gás à Turquia através de território iraniano".

Além disso, "os dois países se mostram satisfeitos pelo bom desenvolvimento das prospecções turcas nas reservas de gás iranianas", acrescenta a nota.

O problema reside em que durante os meses de maior consumo energético (dezembro e janeiro), o Irã - quarto maior produtor mundial de petróleo e segundo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) - não é capaz de garantir o fornecimento contínuo da Turquia.

Por isso, Ancara quer reforçar a provisão com um novo encanamento.

A Turquia procura no Irã não só cobrir as próprias necessidades de energia do país, mas também garantir o abastecimento das linhas energéticas que cruzam o país em direção à União Européia (UE), assim como de futuros projetos como o gasoduto Nabucco, chave na redução da dependência das nações do bloco do gás russo.

No ano passado, Teerã e Ancara aprovaram a participação de empresas turcas na exploração do gás do campo de South Pars (do qual já participam as companhias Shell e Repsol), situado nas águas territoriais de Irã e Catar no Golfo Pérsico e considerada a maior jazida de gás e petróleo do mundo.

Segundo diversos cálculos, no Irã se encontram reservas energéticas de 128,5 bilhões de barris de petróleo e 38,7 trilhões de metros cúbicos de gás, dos quais a Turquia poderia extrair 20,4 bilhões de metros cúbicos de gás para exportá-los à Europa.

Assim, os interesses de ambos os países em intensificar a troca no setor da energia são enormes, mas, segundo os observadores, os planos de avançar neste setor de vital importância se vêem obstaculizados pelo conflito que opõe o Irã a Estados Unidos, Israel e outras potências ocidentais.

O tema que gera tamanha polêmica é o programa nuclear iraniano.

Esta é a primeira visita de Ahmadinejad à Turquia, membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) desde que começou a governar, em 2005, e a primeira de um presidente iraniano desde 1996.

Alguns veículos de comunicação interpretaram o ato como uma tentativa de Teerã de demonstrar que mantém laços importantes com o país vizinho, apesar da polêmica nuclear, e, por isso, provocou uma queixa oficial da Embaixada de Israel, um sólido aliado da Turquia no Oriente Médio.

Por temor a um possível atentado contra o presidente iraniano, as medidas de segurança foram reforçadas com a participação de cinco mil policiais encarregados de proteger os locais pelos quais Ahmadinejad passaria, nos quais o trânsito foi interrompido e as vias fechadas aos pedestres.

Um dos temas de segurança nos quais ambos os países reforçaram a colaboração é a luta contra o separatismo curdo, pois essa minoria habita também no Irã, e ambas as capitais se opõem à sua ambição de criar um Estado próprio.

No entanto, sobre o polêmico conflito em torno do programa nuclear do Irã, nada vazou à imprensa após a reunião de hoje, apesar de, anteriormente, a agência iraniana "Irna" ter confirmado que o caso seria um dos assuntos tratados.

Os EUA e a UE se opõem a que o Irã enriqueça urânio, porque temem que o material seja usado para a fabricação de armamento atômico, enquanto Teerã alega o direito de todo Estado ao uso de tecnologia nuclear com fins pacíficos. EFE amu/db

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