Declaração foi feita durante viagem de chanceler brasileiro para convencer vários governos a evitar punições a país persa

O governo do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, celebrou no sábado os esforços do Brasil e da Turquia em favor de um acordo negociado para evitar sanções a Teerã em decorrência de seu programa nuclear.

A iniciativa foi definida durante a conversa, em Istambul, na Turquia, dos ministros das Relações Exteriores brasileiro, Celso Amorim, e da Turquia, Ahmet Davoto¿lu. Neste domingo, Amorim vai a Moscou, na Rússia, para conversar sobre o mesmo assunto com as autoridades russas e na segunda-feira segue para o Irã.

“É muito importante alcançar uma solução pacífica e negociada para esse tema. Ainda acredito que isso seja possível. Não é fácil, mas é possível”, disse Amorim. O chanceler também conversou com o presidente turco, Abdullah Gül.

No dia 19, Davoto¿lu esteve em Teerã e reiterou a intenção de seu governo em colaborar com as negociações. Na conversa de sábado com Amorim, ambos discutiram as alternativas possíveis para aumentar a confiança das partes em torno da proposta de troca de urânio enriquecido por combustível para o reator de pesquisa de Teerã e sobre formas de reativar o processo de negociação sobre o tema.

A visita de Amorim à Turquia, à Rússia e ao Irã faz parte de uma estratégia definida na semana passada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No próximo dia 15, Lula desembarca em Teerã, mas antes quer ter fechado o apoio de vários governos em favor de negociações que impeçam a imposição de sanções contra o Irã por causa de seu programa nuclear.

Paralelamente, o governo do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pressiona a comunidade internacional para aprovar, no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), medidas punitivas contra o Irã. Para Obama, Ahmadinejad esconde, no programa nuclear, a produção de armas atômicas. O presidente iraniano nega as acusações.

Obama já obteve o apoio da Inglaterra, França e Alemanha. Recentemente, a Rússia demonstrou ser favorável ao que chamou de sanções inteligentes. A China resiste às sanções. Os cinco países são membros permanentes do conselho e têm direito a voto. A expectativa é de que as discussões no órgão ocorram em maio.

No final de maio, o primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, vai estar no Rio de Janeiro para participar da Conferência da Aliança das Civilizações. Assim como o Brasil, o governo turco quer evitar as sanções aos iranianos.

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