Turquia critica sanções ao Irã e fortalece laços com árabes

Primeiro-ministro do país diz que punição ao Irã é um "erro" e anuncia acordo com Jordânia, Líbano e Síria

iG São Paulo |

A Turquia disse que a imposição de novas sanções da Organização das Nações Unidas contra o Irã é um "erro" e afirmou nesta quinta-feira que junto com o Brasil, continuará buscando uma solução diplomática para eliminar as preocupações relacionadas ao programa nuclear iraniano.

AP
Erdogan critica nesta quinta-feira as sanções ao Irã aprovadas pelo Conselho de Segurança da ONU
Em um discurso realizado diante de um fórum de ministros árabes e turcos, o primeiro-ministro Tayyip Erdogan também anunciou planos para formar uma zona de livre comércio regional com três Estados árabes - Jordânia, Líbano e Síria.

A medida aumenta as preocupações, expressadas na quarta-feira pelo secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, de que a Turquia, aliada do Ocidente, corre o risco de inclinar-se para o Oriente devido à resistência na Europa à sua proposta de se tornar membro da União Europeia.

A Turquia e o Brasil, membros não-permanentes do Conselho de Segurança da ONU, foram os únicos países entre os 15 membros do conselho a votarem na quarta-feira contra a imposição de novas sanções contra o Irã. O Líbano se absteve.

"Não queríamos participar em um erro como esse porque a história não nos perdoaria", disse Erdogan em reunião de ministros de 22 membros da Liga Árabe.

Ele disse que a Turquia pretendia, junto com o Brasil, continuar negociando com Teerã, depois de firmar no mês passado um acordo de troca de combustível nuclear que tinha como objetivo tentar evitar novas sanções.

No final, os países do Ocidente, juntos com a Rússia e China, consideraram que o acordo fazia muito pouco e vinha muito tarde, e pressionaram por uma quarta rodada de sanções. Enquanto isso, o Irã continua enriquecendo urânio, algo que as potências mundiais temem ser para a produção de armas nucleares.

A Turquia acredita que as sanções serão ineficientes, e que é perigoso encurralar a República Islâmica. "Isolamento não é a solução para os problemas do Irã", disse Erdogan.

Sanções aprovadas

Na última quarta-feira, o Conselho de Segurança da ONU aprovou uma quarta rodada de sanções contra o Irã por conta de seu programa nuclear, que o Ocidente suspeita ter objetivo de desenvolver armas atômicas.

Foram 12 votos a favor da resolução. O Líbano se absteve, enquanto Turquia e Brasil votaram contra - os dois países negociaram um acordo em maio com o Irã que pretendia evitar as sanções.

Os 15 países do Conselho se reuniram para votar a proposta de resolução, resultado de cinco meses de negociações entre EUA, Grã-Bretanha, França, China, Rússia e Alemanha. As quatro potências ocidentais queriam medidas mais duras, inclusive contra o setor energético iraniano, mas Pequim e Moscou conseguiram diluir as punições previstas no documento de dez páginas.

Embora as novas sanções tenham sido suavizadas após negociações com a Rússia e a China - que têm poder de veto no Conselho de Segurança - elas reforçam ainda mais as medidas já existentes.

A resolução prevê restrições a mais bancos iranianos no exterior, caso haja suspeita de ligação deles com programas nuclear ou de mísseis. Estabelece também uma vigilância nas transações com qualquer banco iraniano, inclusive o Banco Central.

Além disso, ela amplia o embargo de armas contra o Irã e cria entraves à atuação de 18 empresas e entidades, sendo três delas ligadas às Linhas de Navegação da República Islâmica do Irã, e as demais vinculadas à Guarda Revolucionária.

A resolução estabelece também um regime de inspeção de cargas, semelhante ao que já existe em relação à Coreia do Norte.

Paralelamente à resolução, 40 empresas serão acrescidas a uma lista pré-existente de empresas com bens congelados no mundo todo, por suspeita de colaboração com programas nuclear e de mísseis do Irã.

Segundo a embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Susan Rice, as novas sanções têm o objetivo de convencer o Irã a interromper seu programa nuclear e retomar as negociações. "Há uma séria de medidas sérias e compulsórias nesta resolução. Ela é forte e ampla e deve ter um impacto significativo no Irã", disse Rice.

* Com AFP e EFE

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