Turquia confirma que ataque matou civis curdos, e não rebeldes

Porta-voz do partido governista diz que 35 civis foram mortos em bombardeio que tinha como alvo rebeldes serparatistas curdos

iG São Paulo |

Uma autoridade turca confirmou nesta quinta-feira que aviões de guerra que tinham como alvo rebeldes turcos do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) escondidos no Iraque mataram 35 civis. Esse foi um dos maiores números de civis mortos em um único dia durante o conflito que já dura 27 anos entre a Turquia e os separatistas curdos.

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AFP
Moradores locais se reúnem em frente de mortos em ataque aéreo turco na vila de Ortasu, em Uludere, Província de Sirnak (Turquia)

Huseyin Celik, porta-voz do partido do premiê Recep Tayyip Erdogan, disse que as autoridades ainda tentam identificar os mortos, mas que a maior parte deles eram jovens vindos de uma das áreas curdas mais populosas, que fazem fronteira com o Iraque.

"De acordo com as informações iniciais, essas pessoas não eram terroristas, mas envolvidas em contrabando", disse Celik. Todas as vítimas tinham menos de 30 anos e alguns eram filhos de guardas da aldeia que ajudaram as tropas turcas em sua luta contra os rebeldes.

Celik sugeriu que a Turquia iria compensar as perdas. "Se houve um erro, se houve culpa, isso não será encoberto, e tudo o que for necessário será feito", disse.

Mais cedo, os militares turcos confirmaram as incursões realizadas na noite de quarta-feira, acrescentando que seus jatos atingiram uma área ao norte do Iraque, frequentemente usada por rebeldes para entrar na Turquia, depois que aviões não-tripulados detectaram a aproximação de um grupo.

Tropas posicionadas nas fronteiras têm ficado em alerta depois que a inteligência indicou que rebeldes turcos estariam preparando ataques em retaliação a uma série de recentes ataques militares contra as guerrilhas.

Os militares afirmaram que os aviões não-tripulados perceberam a movimentação de um grupo que se aproximava da Turquia em uma passagem de uma montanha usada por rebeldes para contrabandear armas para dentro do país.

Nazmi Gur, um deputado em prol da causa curda, disse que a maior parte dos mortos eram adolescentes que carregavam óleo diesel do Iraque para a Turquia em mulas ou cavalos - muitas vezes a única forma de sobrevivência desses vilarejos. Ele afirmou que oficiais deveriam saber que contrabandistas turcos atuam na área.

Imagens de vídeo divulgadas pela agência Dogan na quinta-feira de manhã mostrou pessoas de luto, algumas chorando, enquanto se aproximavam de corpos cobertos por mantas na província de Ortasu.

O governo turco executou uma operação ao norte do Iraque em outubro , depois que o PKK matou 24 soldados na localidade de Cukurca, perto da fronteira, no ataque mais violento contra o Exército do país desde 1993. O PKK, considerado terrorista por vários países, iniciou uma luta armada em 1984. O conflito provocou 45 mil mortes desde então.

Com AP

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