ANCARA (Reuters) - A Turquia convocou para consultas seu embaixador em Washington depois que uma comissão parlamentar norte-americana aprovou uma resolução que qualifica como genocídio o massacre de armênios por forças otomanas durante a Primeira Guerra Mundial. Em nota, o primeiro-ministro turco, Tayyip Erdogan, se disse seriamente preocupado com a resolução parlamentar, que não tem consequências jurídicas, mas pode abalar as relações turco-americanas, bem como os esforços de reconciliação entre Turquia e Armênia.

"Condenamos esta lei que culpa a nação turca por um crime que ela não cometeu. Nosso embaixador em Washington foi convidado nesta noite a Ancara para consultas", disse Erdogan na nota, divulgada no site de seu gabinete.

"Estamos seriamente preocupados de que esta lei aprovada pela comissão, apesar de todos os nossos alertas, irá prejudicar as relações Turquia-EUA e os esforços para normalizar as relações Turquia-Armênia."

A Turquia, herdeira do Império Otomano, é um país islâmico, mas com um regime laico e democrático, além de ser aliada dos EUA na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), e como tal, vital para os interesses norte-americanos no Irã, no Afeganistão e no Oriente Médio.

No ano passado, Turquia e Armênia assinaram um histórico acordo para sepultar um século de hostilidades e abrir sua fronteira comum. O tratado, com aval de EUA, União Europeia e Rússia, ainda precisa ser ratificado nos Parlamentos de Ancara e Ierevan.

A Turquia admite que muitos cristãos armênios foram mortos pelos otomanos, mas nega que o número chegue a 1,5 milhão, como dizem algumas fontes, e rejeita o termo genocídio, usado por muitos historiadores e até por alguns governos ocidentais.

Em 2007, Ancara convocou seu embaixador em Washington depois que uma comissão dos EUA aprovou uma resolução semelhante. O então presidente George W. Bush alertou contra a medida, que não chegou ao plenário da Câmara. O embaixador voltou ao seu posto uma semana depois.

(Reportagem de Ibon Villelabeitia)

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