Turquia acusa separatistas curdos de atentado de Istambul, mas PKK nega

Vários setores da política e da imprensa turcas acusaram hoje o separatismo curdo pelo duplo atentado à bomba do último domingo em Istambul, que deixou 17 mortos e 150 feridos, porém o Partido dos Trabalhadores de Curdistão (PKK) negou envolvimento com o ataque.

EFE |

Até hoje à tarde ninguém ainda tinha reivindicado a autoria do atentado no bairro operário de Güngören, na parte européia de Istambul.

O governador de Istambul, Muammer Güler, acusou o separatismo curdo, precisamente o PKK, de ser o autor dos atentados e destacou que os agressores tentaram "causar o maior número de vítimas" possível.

Após ser indagado sobre se o PKK estava por trás do ataque de ontem à noite, Güler afirmou que "parece ter relação com a organização separatista".

Entre os feridos dez estão em estado grave, enquanto há quatro crianças entre os mortos.

Os responsáveis pelo atentado detonaram primeiro uma bomba de pouca intensidade para atrair as pessoas e dez minutos depois ativaram a segunda, de maior poder de destruição.  


Câmera de celular capta o momento da segunda explosão em Istambul / Reuters

"O terrorismo não faz distinção entre raça, religião e sexo, Por isto, devemos nos manter unidos, ser solidários e isolar a organização terrorista", declarou hoje o primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, que suspendeu o Conselho de Ministros e viajou para Istambul para prestar homenagem às vítimas.

Erdogan não citou o nome da organização terrorista que pode estar por trás do atentado "para não fazer propaganda" e prometeu informar a sociedade sobre o andamento das investigações.

Manifestações

No entanto, pessoas que estavam próximas ao premiê não paravam de gritar "Abaixo o PKK! Abaixo o PKK!", em referência à organização armada que a imprensa também acredita ser a autora do ataque.

O jornal turco "Hurriyet" traz hoje a manchete "Massacre de civis do PKK", enquanto o "Sabah", próximo ao Governo turco, afirma "Conhecemos os assassinos", em uma citação direta ao grupo separatista curdo.

O líder da oposição, o nacionalista laico Deniz Baykal, concorda com a tese da autoria do PKK e convidou os cidadãos a protestarem contra o atentado. 


Centenas de pessoas participam do funeral das vítimas dos atentados em Istambul / Reuters

Ontem à noite, fontes da Polícia disseram à Agência Efe em Ancara que "tudo indica" que o ataque foi realizado pelo PKK e destacaram que "não seria a primeira vez" que o grupo terrorista detona uma bomba de pouca potência em uma lata de lixo na rua para depois ativar uma grande bomba.

O ministro do Interior turco, Besir Atalay, foi mais precavido e explicou hoje que a Polícia "investiga todas as possibilidades".

De fato, Ahmet Türk, líder do Partido da Sociedade Democrática (DTP), legenda acusada de ser o braço político do PKK, condenou "duramente" o atentado.

Sem provas

Türk criticou que o PKK tenha sido acusado sem provas como autor do atentado e exigiu que todas as possibilidades em todas as direções.

Por outro lado, Zübeyir Aydar, dirigente do PKK na Europa, condenou em declarações à agência pró-curda "Firat" o atentado e desvinculou sua organização do ataque.

"Esta ação não tem qualquer relação com o movimento de libertação curdo nem com o PKK. Não temos notícia (de que o PKK esteja envolvido)", disse Aydar.

"Somos contra deste tipo de ataques. Pensamos que esta ação foi realizada por forças obscuras. Oferecemos nossos pêsames às famílias, destroçadas por esta tragédia, e ao povo da Turquia", acrescentou.

Para o dirigente do grupo armado, o atentado de ontem à noite está relacionado à rede conhecida como Ergenekon e com o processo de ilegalização do governante Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), que hoje entrou em sua fase final.

Nos últimos meses dezenas de pessoas - inclusive altos comandantes militares na reserva e políticos laicos e nacionalistas - foram detidas e acusadas de tentar criar o caos no país através de atentados para tentarem forças a renúncia do Governo de Erdogan.

Na semana passada, os tribunais aceitaram investigar esta rede ultranacionalista e que, segundo a Promotoria, é culpada pela maioria dos atentados e assassinatos não resolvidos nos últimos anos.

Em meio à incerteza sobre o ataque de ontem à noite, o Tribunal Constitucional da Turquia começou hoje a deliberar sobre o processo de ilegalização do AKP, acusado de centralizar atividades contrárias ao estrito laicismo oficial.

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