Turistas e peregrinos recebem patriarca latino em Belém na véspera do Natal

Daniela Brik. Belém, 24 dez (EFE).- Milhares de peregrinos e aldeões receberam hoje o novo patriarca latino de Jerusalém, Fouad Twal, na Praça da Manjedoura de Belém, horas antes de, esta noite, ele oficiar a tradicional Missa do Galo na Igreja de Santa Catarina.

EFE |

Sob um céu parcialmente nublado e um tempo instável, a cidade cisjordaniana de Belém, berço do cristianismo, amanheceu hoje enfeitada para receber o patriarca e os muitos turistas e peregrinos que transformam o local, ao menos uma vez no ano, no centro do mundo.

Desde a primeira hora da manhã, a localidade, que fica em território palestino e a apenas oito quilômetros de Jerusalém, exibia um ar festivo.

Twal, máxima autoridade eclesiástica católica na Terra Santa, chegou esta tarde procedente de Jerusalém, acompanhado por personalidades da cidade e das localidades de Bet Sahur e Beit Jala, em uma viagem de aproximadamente meia hora que é uma tradição.

Para isso, terá que atravessar o muro israelense de concreto que separa as duas localidades, através de um portão na altura do túmulo da matriarca Raquel, que é aberto apenas três vezes ao ano, todas elas no Natal.

Em Belém, presépios e árvores de Natal decorados com guirlandas e modelos de Papai Noel enfeitam os comércios de toda a cidade, que, nesta data, triplicam suas vendas. Entre os itens mais vendidos com certeza estará a tradicional Kafiah palestina, o lenço usado por Yasser Arafat.

"É um dia muito importante para nós. Em um dia como hoje recebemos muitos turistas e esperamos que essa seja a tônica nos próximos anos", disse à Agência Efe Luna Canavaty, funcionária de uma loja de souvenirs religiosos.

Como é costume, a procissão do patriarca foi precedida por coroinhas e personalidades da cidade, assim como por bandas musicais de "escoteiros", vestindo na ocasião seu tradicional uniforme escocês.

Os restaurantes em torno da Praça da Manjedoura já preparam jantares natalinos que rondam os 100 shekels (20 euros). Eles convidam o visitante a se aproximar e contemplar os menus típicos palestinos, nos quais há bastante carne assada, homus e as saladas orientais.

Nesta praça se amontoava a maior parte dos turistas e peregrinos.

Nela, fica a Basílica da Natividade, cuja porta, de pouco mais de um metro de altura, obriga o visitante a se abaixar, segundo a tradição, para dar uma mostra de respeito para com o lugar onde, conforme a história, Jesus teria nascido.

A Basílica se ergue sobre a conhecida como Gruta da Natividade, onde se encontra o presépio, marcado no solo por uma estrela de prata de 14 pontas sobre mármore branco, segundo uma crença que data do século IV.

Na adjacente Igreja de Santa Catarina, já foi colocado o tapete vermelho para a tradicional Missa do Galo desta meia-noite, com a presença do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, entre outras personalidades, e que será transmitida pela televisão palestina.

"Visitar este lugar e assistir à Missa do Galo é uma coisa que cada cristão deseja fazer uma vez na vida", afirma o guia turístico Nasser junto ao santuário.

Na praça foi construído um palco, no qual, à noite, haverá uma apresentação da Plataforma de Mulheres Artistas contra a Violência de Gênero, de visita à região.

"Nesta data, ocorre um grande aumento do turismo e esperamos chegar a 1 milhão de visitantes" durante o ano, disse à Agência Efe, em Belém, a ministra do Turismo palestina, Khoulud Daibes.

Este Natal pode atrair 60 mil peregrinos para assistir às tradicionais missas em Belém e Nazaré, em uma dinâmica de aumento constante do turismo em Israel e nos territórios palestinos, por causa da diminuição da violência após os anos mais duros da Segunda Intifada.

A presença aumentará mais ainda com a visita que o papa Bento XVI fará em maio à Terra Santa, a terceira de um pontífice à região, após Paulo VI e João Paulo II, confirmada ontem por Twal.

"O papa é muito esperado na Terra Santa. É uma visita muito importante para os cristãos palestinos, em particular, e para todos os palestinos, em geral", disse Daibes. EFE db/db

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