Por Alvaro Tapia SANTIAGO (Reuters) - Hotéis praticamente vazios, cancelamento de reservas e uma advertência para que não se viaje ao Chile são as réplicas deixadas pelo terremoto devastador e pelos tsunamis na indústria turística chilena.

O terremoto de 27 de fevereiro, um dos mais fortes da história, golpeou populares destinos turísticos como o balneário de Viña del Mar e o centro histórico do porto de Valparaíso, que é Patrimônio da Humanidade.

O tremor de magnitude 8,8 também arrasou com diversos povoados costeiros, como Pichilemu, considerado a capital do surf do país, e San Juan Bautista, situado no arquipélago de Juan Fernández, imortalizado por Daniel Dafoe no livro "Robinson Crusoé".

Além disso, derrubou parte do patrimônio turístico do Chile, como suas igrejas centenárias, enquanto que populares vilas de pescadores do sul do país, uma escapada de fim de semana para muitos chilenos, foram varridas do mapa pelos tsunamis.

"Vai se passar muito tempo para que tudo volte à normalidade, de querer viajar. Estamos ainda com muito medo", disse Marion Steele, assistente social de 38 anos que vive na capital chilena.

O forte terremoto deixou ao menos 500 mortos, centenas de pessoas desaparecidas e mais de 200 réplicas, que seguem assustando a população.

O Serviço Nacional de Turismo (Sernatur) assinalou que ícones turísticos do Chile, como San Pedro de Atacama ao norte, a paradisíaca Ilha de Páscoa no Pacífico Sul e as imponentes Torres Del Paine no sul não sofreram nenhum dano e operam com normalidade.

Entretanto, o turismo até essas regiões também poderá ser afetado pelos problemas de transporte e conectividade, indicaram diversas fontes da indústria.

"Durante as primeiras duas semanas pós-terremoto, o nível de cancelamento de reservas chegou a 50 por cento e perto de 30 por cento para abril. De maio para frente, cancelou-se menos", disse Mauro Magnani, presidente da Associação de Empresários Hoteleiros do Chile.

O terremoto também danificou gravemente a infraestrutura do país, transformando-se em dor de cabeça para os turistas.

O moderno terminal do aeroporto internacional de Santiago foi muito danificado pelo terremoto, o que dificulta a chegada e saída de passageiros.

Além disso, as rodovias foram bastante afetadas e muitas pontes caíram, significando um maior tempo de viagem.

O Departamento de Estado norte-americano emitiu um alerta de viagem sobre o Chile, para onde pede que se evite as viagens turísticas e as não essenciais até 1o de abril.

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