Turcos votam reforma constitucional em plebiscito neste domingo

Votação é vista como disputa entre governo de influência islâmica e seculares em relação à influência sobre o futuro do país

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Os turcos votaram neste domingo para uma eventual reforma constitucional, visto como uma disputa entre o governo, liderado por conservadores muçulmanos, e oponentes seculares em relação à influência sobre o futuro do país, que é candidato a membro da União Europeia.

Uma pesquisa de boca de urna mostrava a maioria dos turcos apoiando o pacote do governo, que inclui mudanças que os críticos dizem que darão ao partido governista controle sobre o Poder Judiciário. Outras pesquisas mostravam intenções de voto quase iguais para os dois lados.

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Mulher vota em plebiscito sobre reforma constitucional em Istambul, Turquia
A votação será um teste para o primeiro-ministro Tayyip Erdogan, cujo partido AK está tentando realizar reformas políticas e econômicas desde que chegou ao poder, em 2002. Contudo, o partido, que se formou a partir de uma coalizão de legendas islâmicas, é acusado de ter ambições islâmicas. Eles, entretanto, negam.

Os turcos estarão atentos à possibilidade de que Erdogan possa formar um governo de partido único pela terceira vez consecutiva depois das eleições de julho do ano que vem.

Erdogan diz que as mudanças na constituição, criada na década de 80 depois de um golpe militar, são necessárias para fortalecer a democracia e alinhar melhor a Turquia com os padrões europeus.

Forças de segurança e separatistas curdos que pediam o boicote à eleição se enfrentaram na região sul do país, e um soldado morreu quando pisou numa mina. O voto dos curdos pode ser importante numa corrida apertada. Erdogan disse que o boicote teria pouco impacto a não ser em Hakkari, na fronteira com o Irã.

Controle dos tribunais

A oposição secular não discute que algumas das mudanças são necessárias. Contudo, eles dizem que as novas propostas também abririam caminho para que o Partido AK domine os tribunais estendendo uma base de poder já forte depois de oito anos no poder.

Com o poder interno dos militares limitado por reformas recentes, os tribunais são o último reduto de poder dos conservadores seculares. O pacote inclui 26 artigos. A maioria deles é vista como progressiva e pouco polêmica, incluindo um que torna os militares mais responsáveis perante tribunais civis.

Mas os oponentes dizem que as mudanças no tribunal constitucional e no alto conselho de juizes e procuradores, um órgão encarregado de escolher magistrados, traz à tona a questão da independência do Judiciário.

O comitê executivo da União Europeia apeia a tentativa de Ancara de reorganizar o Judiciário, mas na terça-feira acusou o governo de abafar o debate público sobre as propostas.

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