Turcomenos vão às urnas em eleição sob suspeita

Por Marat Gurt ASHGABAT (Reuters) - Mais de dois milhões de turcomenos foram votar neste domingo em uma eleição parlamentar relâmpago promovida pelo governo como um passo rumo à democracia, mas condenada por críticos como uma fraude.

Reuters |

Dos nômades montados em camelos em sua fronteira desértica com o Irã aos vastos campos de gás do leste, os 2,5 milhões de eleitores do Turcomenistão começaram a entrar nas filas das seções eleitorais às oito horas da manhã.

No início da tarde, mais de dois milhões já haviam depositado sua cédula, disse o governo.

O ex-país soviético da Ásia Central às margens do Mar Cáspio vem emergindo do isolamento desde a morte do líder absolutista Saparmurat Niyazov em 2006 depois de um excêntrico reinado de 21 anos.

O novo presidente Kurbanguly Berdymukhamedov prometeu levar adiante as reformas e atrair investidores estrangeiros.

Mas os eleitores têm pouca fé na eleição, já que todos os candidatos representam o partido democrata do governo, o único registrado no país, ou um punhado de independentes aprovados pelo estado.

A véspera da votação foi marcada pela apatia dos eleitores e a desconfiança do governo, um sentimento que, como na época soviética, as pessoas só compartilham em particular em uma nação na qual a crítica ao governo permanece um tabu.

"Eu marquei um dos quadrados sem ver o nome do candidato", disse Oraz, um professor universitário de trinta e poucos anos de Ashgabat. "O que me importa é que todos eles apóiam o presidente".

Os eleitores foram recebidos com música ao vivo em algumas das seções eleitorais que o governo convidou a imprensa estrangeira a visitar. No que parecia uma tradição eleitoral soviética, também havia doces sendo vendidos em alguns locais.

A votação em si parecia bem organizada, disse neste domingo um diplomata estrangeiro sediado em Ashgabat.

"A questão real é quão ampla é a opção de candidatos", disse o diplomata, que falava sob a condição de anonimato.

O pleito é um elemento-chave do plano de reforma do novo presidente, que objetiva a criação de um parlamento maior e mais poderoso que teria maior peso nas decisões de alcance nacional.

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