Turcomenistão registra alta participação nas eleições legislativas

Moscou, 14 dez (EFE).- Os cidadãos do Turcomenistão foram hoje maciçamente à urnas, em um clima de absoluta tranqüilidade, nas primeiras eleições legislativas realizadas nesse país centro-asiático com a presença de observadores estrangeiros.

EFE |

Quando faltavam duas horas para o fechamento dos colégios eleitorais, já tinham depositado seu voto cerca de 2,5 milhões de eleitores (88,41% do censo).

De acordo com a legislação do Turcomenistão, para que o pleito seja válido, deve haver a participação de mais de 50% dos cidadãos com direito a voto.

"As eleições são válidas e em pouco tempo serão divulgados os resultados", disse à agência russa "Interfax" um porta-voz da Comissão Eleitoral Central (CEC), pouco depois do fechamento dos colégios eleitorais, que aconteceu às 18h (11h de Brasília).

Embora os 228 candidatos a ocupar as 125 cadeiras do Parlamento sejam membros do Partido Democrático do Turcomenistão, o único legal no país, ou contem com seu apoio, o pleito de hoje é considerado histórico, pois pela primeira vez foram convidados observadores estrangeiros.

A CEC destacou que os observadores puderam visitar livremente os colégios eleitorais de Achkabad, assim como das cinco regiões administrativas do país.

"O pleito que ocorre hoje no Turcomenistão acontece em plena concordância com a legislação nacional", disse à agência oficial russa "Itar-Tass" o secretário-executivo da Comunidade dos Estados Independentes (CEI), Serguei Lebedev, que lidera uma missão de 40 observadores.

As autoridades do Turcomenistão ressaltaram como demonstração da abertura vivida no país o fato de que os cidadãos puderam escolher seus deputados entre mais de um candidato.

Também pela primeira vez, os cidadãos do Turcomenistão residentes no exterior puderam exercer seu direito a voto, pois foram habilitados 27 colégios eleitorais em representações diplomáticas turcomanas.

Estas inovações, inimagináveis na época do primeiro presidente do Turcomenistão independente, Saparmurat Niyazov, enquadra-se na política de abertura iniciada pelo atual chefe de Estado, Gurbanguly Berdymukhammetov.

O sucessor de Niyazov - falecido em dezembro de 2006 e que se fazia chamar de Turkmenbashy (pai dos turcomanos) - proclamou o começo de um processo de reformas "orientadas à integração do Turcomenistão na comunidade internacional".

Entre suas primeiras medidas, Berdymukhammetov restabeleceu o balé, a ópera, o circo e as aulas de ginástica na escola, atividades proibidas por seu antecessor, com o argumento de que se contradiziam com o "espírito nacional".

Às vésperas das eleições, o chefe do Estado declarou que o Turcomenistão deve "mostrar e demonstrar ao mundo que, depois da aprovação da nova Constituição, a democratização da sociedade tem caráter irreversível".

A nova lei fundamental, aprovada em setembro passado, aumentou de 65 para 125 o número de cadeiras no Parlamento e referendou os princípios da economia de mercado e do controle estatal sobre os recursos energéticos do país.

O Turcomenistão, com uma superfície de 491.020 quilômetros quadrados e uma população de quase 5 milhões de habitantes, possui enormes reservas de gás natural.

Em meados deste ano, Berdymukhammetov avaliou as reservas de gás natural do Turcomenistão em 24,6 trilhões de metros cúbicos, e disse que a diversificação do fornecimento de gás aos mercados mundiais é uma das prioridades do país.

Atualmente, a maior parte das exportações de gás natural do Turcomenistão tem como destino a Rússia. EFE bsi/an

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG