Turco é resgatado com vida quatro dias após terremoto

Imdat Padak, de 18 anos, foi encontrado mais de 100 horas depois de tremor que matou 534; desabrigados enfrentam neve e chuva

iG São Paulo |

Membros da equipe de resgate retiraram um homem jovem com vida de destroços nesta quinta-feira, mais de 100 horas depois do terremoto que deixou 534 mortos, mais de 2,3 mil feridos e milhares de desalojados no leste da Turquia. Cerca de 2 mil construções foram destruídas, e o governo declarou outras 3,7 mil impróprias para a habitação.

Imagens de TV mostraram os resgatistas comemorando e batendo palmas enquanto o homem, vestido com um agasalho vermelho e deitado em uma maca, era carregado para fora dos ecombros. Seus olhos estavam fechados a maior parte do tempo, mas ele os abriu eventualmente. Ele não podia mover a cabeça, que estava presa por um imobilizador. "Deus é grande", alguém gritou.

AP
Equipes de resgate retiraram Imdat Padak, de 18 anos, com vida de destroços mais de 100 horas depois de terremoto que atingiu Turquia
A agência turca Anatolia disse que o homem, Identificado como Imdat Padak, de 18 anos, foi resgatado por um azerbaijão na cidade de Ercis, a mais destruída pelo tremor de 7,2 graus de magnitude que atingiu o país no domingo . De acordo com a agência, ele foi levado às pressas em uma ambulância para a cidade vizinha de Van e, apesar de desidratado, estava em boas condições. Padak vive na vila de Kiziloren, mas estava em Ercis para cursos de preparação para a universidade.

Equipes ainda buscam sobreviventes e, segundo o governo turco, até agora 186 moradores foram retirados de escombros. Algumas informações indicaram anteriormente que as equipes haviam resgatado com vida um jovem de 19 anos também em Ercis, mais de 90 horas após o tremor, mas o chefe resgatista chief Mustafa Ozden disse à Associated Press que ele na verdade foi resgatado na terça-feira. 

Más condições climáticas

O resgate desta quinta-feira ocorre em meio às más condições climáticas que dificultam ainda mais a situação dos desabrigados. Na Província de Van, atingida pelo temor, a chuva que começou a cair na noite de quarta-feira deu lugar à neve pela manhã.

A agência meteorológica do país prevê que a nevasca continue de forma intermitente pelos próximos três dias, baixando as temperaturas enquanto milhares de sobreviventes passam a noite em barracas e tentando se aquecer com cobertores e fogueiras.

Reuters
Pai abraça a filha em campo para desabrigados por tremor na cidade de Ercis, na Turquia

“Está ficando cada vez mais frio, meus filhos estão tossindo. Não sei quanto tempo teremos de ficar aqui”, afirmou Sermin Yildirim, grávida de oito meses, que divide uma barraca com os filhos gêmeos, o marido e mais quatro parentes distantes. O apartamento de três andares onde ela morava não foi danificado pelo tremor, mas a família tem medo de voltar para casa por causa dos ablos secundários que continuam acontecendo.

Autoridades turcas distribuíram mais barracas aos desabrigados após críticas sobre a falta de organização na distribruição de ajuda . O descontrole na operação chegou ao ponto de algumas famílias receberem três ou quatro barracas para as revender àqueles que não têm nenhuma.

O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, reconheceu alguns erros logísticos. "Houve erros na distribuição das barracas nas primeiras 24 horas, reconhecemos. Em circunstâncias similares, essas coisas podem acontecer no mundo todo", disse.

Ajuda internacional

Nesta quinta-feira, a ajuda internacional começou a chegar à Turquia. Israel, que vive uma crise diplomática com Ancara por causa de um ataque a uma flotilha turca no ano passado, enviou tendas, cobertores e roupas. Alemanha, Rússia e Ucrânia também fizeram contribuições.

Apesar das hostilidades históricas com a Turquia, a Armênia anunciou nesta quinta-feira o envio de uma ajuda de urgência ao país. Um avião com 40 toneladas de ajuda, principalmente tendas e cobertores, deve decolar no fim desta tarde para a Turquia, afirmou o Ministério armênio de Situações de Urgência.

As relações entre os dois países são conflituosas por causa dos massacres e deportações de armênios pelo Império Otomano no início do século 20. Os armênios caracterizam esses  acontecimentos como genocídio que, segundo eles, deixaram mais de 1,5 milhão de mortos.

A Turquia reconhece que entre 300 mil e 500 mil perderam a vida nos últimos anos do Império Otomano. Em 2009, os dois países assinaram acordos históricos para acabar com as décadas de hostilidade, estabelecer relações diplomáticas e reabrir a fronteira. Contudo, o processo foi comprometido por acusações mútuas e os textos nunca foram ratificados.

Construções irregulares

Na quarta-feira, o premiê turco responsabilizou construções irregulares pelo número elevado de mortos, prometendo derrubar todos os edifícios erguidos sem licença e que não estejam preparados para suportar tremores.

"Vendo os escombros, podemos comprovar a má qualidade dos materiais. O cimento se transformou em areia. Os municípios, as empreiteiras e a fiscalização deveriam perceber que essas negligências são comparáveis a cometer um crime", afirmou.

Erdogan prometeu se encarregar do problema contra as construções irregulares, embora seja uma medida impopular para o governo. De acordo com ele, o Executivo ordenará derrubar todos os "gecekondu", que são bairros de casas construídas pelos próprios moradores sem permissão e normalmente em terrenos de propriedade estatal, onde mora mais da metade da população urbana da Turquia, segundo alguns estudos.

"Se for preciso, utilizaremos dinheiro do orçamento para expropriar esses edifícios tipo 'gecekondu' ou construídos sem licença. Seja qual for o preço, apesar dos problemas para os votos. Se temos de escolher, preferimos perder o governo a continuar com esse panorama", disse.

Com AP, AFP, EFE e Reuters

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