Tunísia tem novos protestos e ministros da oposição renunciam

Manifestantes saem às ruas contra presença de integrantes do governo de Ben Ali no novo gabinete ministerial

iG São Paulo |

Pelo menos três ministros do governo interino de coalizão na Tunísia apresentaram sua renúncia nesta terça-feira, em meio a novos protestos nas ruas da capital, Túnis, e de outras cidades do país.

Os ministros que renunciaram são da União Geral de Trabalhadores Tunisianos, sindicato que teve papel central nos protestos que tiraram o ex-presidente Zine Al-Abidine Ben Ali do poder na última sexta-feira. Segundo analistas, a notícia das renúncias pode representar o colapso do governo de unidade nacional.

AFP
Manifestantes protestam contra governo interino em Túnis, capital da Tunísia

Nesta terça-feira, manifestantes entraram em confronto com a polícia em Túnis. Policiais usaram bombas de gás lacrimogêneo e cassetetes para dispersar uma manifestação contra a presença de integrantes do governo de Ben Ali no gabinete ministerial interino.

O governo interino é liderado pelo primeiro-ministro do governo anterior, Mohammed Ghannouchi. Ao anunciar o seu gabinete na segunda-feira, Ghannouchi afirmou que seis ministros do governo de Ben Ali, entre eles o do Interior e da Defesa, continuarão nos cargos. A oposição ficará com os Ministérios de Educação Superior, Desenvolvimento Regional e Saúde.

Em entrevistas para rádios europeias nesta terça-feira, Ghannouchi defendeu a inclusão de membros do antigo governo neste governo interino. Ghannouchi disse à rádio francesa Europe 1 que os ministros tem "mãos limpas" e sempre trabalharam para "preservar os interesses nacionais".

Roubo de ouro

O governo francês suspeita que a família de Ben Ali tenha fugido da Tunísia com 1,5 tonelada de ouro, informou na segunda-feira o jornal "Le Monde".

Segundo o diário, o serviço secreto francês acredita que a mulher de Ben Ali, Leila Trabelsi, tenha ido até o Banco Central da Tunísia para buscar as peças, avaliadas em 45 milhões de euros (cerca de R$ 100 milhões). O Banco Central da Tunísia, no entanto, desmentiu a informação e afirmou que "não receberam nenhuma ordem verbal nem por escrito para tirar o ouro" e que suas reservas "não foram alteradas".

Reformas e economia

Ben Ali, presidente que renunciou, chegou ao poder em 1987 com um golpe de Estado que derrubou o primeiro presidente da Tunísia após a declaração de independência, Habib Bourguiba. Ben Ali prometeu promover uma transição gradual para a democracia no país, mas acabou se fixando no poder com sucessivas mudanças na Constituição e eleições em que era o candidato único.

Uma das primeiras tarefas do governo interino será avançar com as reformas constitucionais e preparar a Tunísia para eleições livres e justas. Outra tarefa urgente, de acordo com Wyre Davies, é estabilizar a economia do país. A estimativa é de que a crise das últimas semanas tenha custado ao país cerca de US$ 2 bilhões.

Ghannouchi anunciou na segunda-feira que os prisioneiros políticos serão libertados e a imprensa terá "liberdade total". O premiê também prometeu abolir o Ministério da Informação e afirmou que todos os partidos políticos poderão operar livremente na Tunísia.

O premiê disse ainda em entrevista nesta terça-feira que todos os envolvidos com a repressão na Tunísia durante o governo de Ben Ali serão julgados.

Crise

Segundo a atual Constituição tunisiana, a nova eleição presidencial deve acontecer dentro de 60 dias.

Os protestos começaram no último mês motivados pela insatisfação com o alto desemprego, o aumento no preço dos alimentos e a corrupção.

Segundo o governo, 78 pessoas morreram em choques entre manifestantes e a polícia. Ben Ali, que foi presidente da Tunísia por 23 anos, viajou na sexta-feira para a Arábia Saudita, depois de renunciar ao cargo.

Com AFP e BBC

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