Tunísia emite mandado de prisão para viúva de Arafat

Suha Arafat é acusada de corrupção financeira com a família da esposa de Ben Ali, ex-presidente do país derrubado por protestos

iG São Paulo |

AP
Suha Arafat,viúva do ex-líder palestino Yasser Arafat, em foto tirada em 2000
A Justiça da Tunísia emitiu nesta segunda-feira um mandado internacional de prisão contra Suha Arafat, viúva do líder palestino Yasser Arafat, como parte de uma investigação de corrupção envolvendo a família da ex-primeira-dama tunisiana.

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Suha Arafat costumava passar grande parte de seu tempo na Tunísia e, durante muitos anos, era próxima da esposa do ex-presidente Zine al-Abidine Ben Ali, que foi obrigado a fugir do país após os levantes populares de janeiro que o depuseram do poder no conjunto da Primavera Árabe .

"A Tunísia emitiu um mandado de prisão contra a senhora Arafat por suspeita de envolvimento em casos de corrupção financeira com a família da esposa de Ben Ali", disse Shokri Nafti, porta-voz do Ministério da Justiça.

A família Arafat estabeleceu laços com a Tunísia durante o período em que a Organização pela Libertação Palestina (OLP) estava exilada e montou uma sede em Túnis, nos anos 1980 e início dos anos 1990.

Depois da morte do líder palestino em 2004, sua viúva recebeu um passaporte tunisiano e foi vista frequentemente na Tunísia ao lado da esposa de Ben Ali, Leila Trabelsi, ex-cabeleireira cujos parentes passaram a controlar grande parte da economia.

Segundo a imprensa tunisiana, a viúva do líder palestino é acusada de corrupção no caso da Escola Internacional de Cartago, que fundou em 2006 com Leila. Suha teve a nacionalidade da Tunísia retirada e foi deportada em 14 de agosto de 2007 depois de um desentendimento com a ex-primeira-dama.

Desde as revoltas na Tunísia, promotores têm perseguido dezenas de pessoas ligadas à ex-primeira-dama por acusações de corrupção.

Os tribunais também condenaram à revelia Ben Ali e sua esposa, por roubo, porte de armas e drogas, e corrupção. Os advogados de Ben Ali negam as acusações.

Eleições

A Tunísia foi o primeiro país da Primavera Árabe a realizar eleições após a queda de seu líder, que estava há 23 anos no poder. Depois que 90% dos eleitores tunisianos compareceram às urnas em 23 de outubro, o Ennahda, partido islâmico moderado, saiu-se vencedor , conquistando 90 dos 217 assentos da Assembleia Constituinte.

Em seguida, ficou o Congresso para a República, esquerda-liberal, com 30 cadeiras (13,82% dos votos) e do Ettakatol, de esquerda, com 21 deputados (9,68% dos votos).

Com AFP e Reuters

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