Tunísia emite mandado de prisão internacional contra ex-líder

Em novo dia de protestos, polícia usa gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes em frente ao gabinete do premiê

iG São Paulo |

A Justiça da Tunísia emitiu uma ordem de prisão internacional contra o presidente deposto Zine El Abidine Ben Ali e sua mulher Leila Trabelsi, que fugiram para a Arábia Saudita em meio a uma onda de protestos contra o governo no país.

O ex-presidente e sua esposa são acusados de "aquisição ilegal de bens mobiliários e imobiliários e transferência ilícita de divisas ao exterior", afirmou o ministro da Justiça Lazhar Karoui Chebbi.

AP
Manifestantes retiram homem ferido após confrontos na capital da Tunísia, Túnis
O presidente Ben Ali fugiu em 14 de janeiro da Tunísia e se refugiu na Arábia Saudita. Sua esposa, Leila Trabelsi, odiada pela população, também abandonou a Tunísia em data e destino desconhecidos.

O anúncio do mandado internacional de prisão é feito em um novo dia de protestos na capital, Túnis. Além disso, o ministro da Justiça divulgou nesta quarta-feira dados que mostram o grau dos tumultos no país: mais de 11 mil prisioneiros - cerca de um terço da população carcerária do país - foram capazes de fugir em meio ao caos, afirmou o ministro.

Nesta quarta-feira, o batalhão de choque da polícia lançou bombas de gás lacrimogêneo contra um grupo de manifestantes que tentava furar o bloqueio a um dos acesso à esplanada onde funciona o gabinete do primeiro-ministro Mohamed Ghanuchi.

Milhares de tunisianos estão há dias acampados na praça que fica em frente à sede do escritório do primeiro-ministro. Durante a confusão, muitos manifestantes fugiram do local e abandonaram centenas de sacos de dormir e cobertores.

O governo de transição da Tunísia prevê anunciar nesta quarta-feira uma reestruturação de seus quadros, na esperança de acalmar a revolta popular contra a presença de várias figuras do antigo regime no gabinete interino.

Ben Ali foi derrubado após semanas de protestos causados pela pobreza, o desemprego e a repressão. Foi a primeira rebelião genuinamente popular a derrubar um líder do Oriente Médio desde a deposição do xá do Irã, em 1979.

Com AFP

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